Na diversidade de vocações
São Paulo chama a Igreja de “Corpo Místico de Cristo”. Ele nota como
este corpo tem muitos membros e cada um tem suas funções. Um membro difere do
outro, mas juntos formam um conjunto harmonioso, com imensas possibilidades de
ação. A Igreja também é assim. São tantos membros, cada um com capacidades e
funções diferentes. Esta diversidade é fruto da ação do Espírito que distribui,
com liberdade, os seus dons. Porque diversas são as faces da missão, diversas
devem ser também as faces da missão, diversas devem ser também as vocações ou
os carismas.
Todos missionários, mas de modo diferente
Quando dizemos que a Igreja
é essencialmente missionária, estamos também afirmando que todos os seus membros
são missionários. Ser cristão significa ser chamado a dar a própria
contribuição para que todos os povos conheçam Jesus Cristo e vivam os valores
do evangelho.
As comunidades mais amadurecidas na fé,
e de certa forma autônomas, são chamadas a contribuir com as mais carentes. O Papa
João Paulo II apresenta diversas formas de cooperar com a missão universal. Entre
elas está a cooperação espiritual, através da oração, da oferta do próprio
sacrifício e do testemunho de vida. Outra forma importante de contribuir com a
missão é a animação missionária da própria comunidade, ajudando cada cristão a
tomar consciência que ele precisa fazer sua parte pela missão Ad Gentes. Mas o coração da cooperação
está Ca promoção das vocações especialmente missionárias (RMi 79). Estas constituem
o elemento indispensável da missão, pois como dizia o Apóstolo Paulo, “como
crerão se não há quem lhes anuncie”?
Uma vocação específica
Mas como se pode falar de uma vocação especificamente missionária se todos
os cristãos são missionários? A resposta aparece de forma muito clara nos
documentos da Igreja. Embora todos os cristãos. Em função do próprio batismo,
são chamados a contribuir com a missão universal, dedicar-se completamente à
vida missionária não constitui uma condição essencial do cristianismo. A grande
maioria dos cristãos, pelos compromissos e pela forma de vida que levam, não
teriam condições de deixar tudo e partir. Outros nem mesmo sentiriam gosto por
isso, ou não sentiriam propriamente esta forma de viver a vida cristã como
adequada para si. Em consequência disto, se pode dizer que a vocação
missionária pressupõe um chamado específico de Deus. O Concílio Vaticano II
afirma que, embora o compromisso de difundir a fé recaia sobre todos os
discípulos de Cristo, Ele escolhe aqueles que quer, do meio da multidão, para
viver com Ele e enviá-los aos não-cristãos (AG 23).
Adaptação
do artigo de: BALSAN, Luiz; GIRARDI, Lírio. Vocação Missionária. Revista MISSÕES, Ano 30, n. 8, abr. 2003.
Formação Missionária, p.20. [Segunda Parte]
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