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12/15/2016

DEUS CAMINHA CONOSCO

 “Emanu!” “El!” “Emanu!” “El!” “Emanu!” “El!” “Atacar!”
            EMANUEL= DEUS CONOSCO

Antigamente, sobretudo no tempo do rei Acaz (735 a.c.) “Emanu!” “El!” significava apenas um grito de guerra: antes de atacar, o comandante gritava por três vezes emanu (conosco), e os soldados respondiam, El (Deus). É o sinal da vitória na guerra.

O antigo grito de guerra passa a ter agora um significado mais profundo. Antes significava apenas confiança no Deus que apoiava o povo em suas guerras. Visava apenas dar coragem aos soldados. Agora significa que Jesus é presença de Deus entre nós, que nele Deus veio acampar conosco.


A luta de Jesus parecia tê-lo levado ao fracasso da cruz. Mas Deus estava com ele também aí: prova disso é que o ressuscitou dos mortos, fazendo dele o Senhor da vida e da morte. Com ele estava Deus, e ele é Deus conosco. Nossa luta para estabelecer no mundo o reinado de Deus não vai fracassar. Emanu–El, Deus está conosco.

Na eucaristia, lembramos a luta que culminou na cruz e a vitória da ressurreição, fazendo, na comunhão, partilha da vida em plenitude para todos igualmente.
José era um homem justo. Sua justiça, porém, não se reduzia àquela coisa pequenina de só ver a Lei. Se ele só visse a Lei, teria denunciado Maria publicamente. Sua justiça, muito além da Lei, era deixar-se reger pelos critérios do reinado de Deus, Pai de todos, que respeita a todos, que a todos entende e compreende. Sua justiça “superava de muito a justiça dos escribas e fariseus”. Essa justiça nos faz muita falta.
Maria passa quase despercebida. É a figura principal, e nós quase nem a notamos. É a figura principal exatamente por isto: não pretende aparecer, não está em busca dos holofotes nem das câmeras. É a figura principal porque foi na sua humildade, em todos os sentidos, que Deus quis se fazer presente na humanidade.
“A virgem conceberá e dará à luz.” Se, para a mãe, o filho sempre lembra o pai, para Maria
, Jesus não lembra José, mas o Espírito de Deus; não lembra uma experiência vivida com o marido, mas Deus, que a quis. Seu amor ao filho não passa pelo amor do marido, mas vai direto ao Filho. Seu amor a Jesus é isento de qualquer segundo interesse, é totalmente puro.

Nosso amor não é puro; nada fazemos sem um pouco de interesse próprio, sem uma ou mais segundas intenções. A fecundidade de Maria é tão grande, a ponto de gerar Deus, porque é virginal, porque é pura, isenta de qualquer segunda intenção.
joaobortoloci@bol.com.br
(tirado da Revista Pastoral)

11/26/2016

ADVENTO: TEMPO DE ESPERANÇA

Atenção! Deus chega a cada momento! (Mateus 24,37-44)


SITUANDO

Chegamos ao quinto Sermão da Nova Lei. Cada um dos quatro Sermões anteriores iluminou um determinado aspecto do Reino. O primeiro: a justiça do Reino e as condições de entrada (Mt 5 a 7). O segundo: a missão dos cidadãos do Reino (Mt 10). O terceiro: a presença misteriosa do Reino na vida do povo (Mt 13). O quarto: viver o Reino em comunidade (Mt 18). O quinto Sermão trata da vigilância em vista da chegada definitiva do Reino. 

Mateus segue o esquema de Marcos, mas acrescenta algumas parábolas que
falam da necessidade da vigilância e do serviço, da solidariedade e do julgamento.

No fim do século I, as comunidades viviam na expectativa da vinda imediata de Jesus. Elas diziam: "Quando Jesus passar eu quero estar no meu lugar!" E se perguntavam: "Quando Jesus vier, será que vou ser tomada ou vou ser deixada?"  Havia um clima semelhante ao de hoje, em que muitos dizem: "O fim do mundo vai chegar logo!" E se perguntam: "O que fazer para não ser pego de surpresa?" A resposta a estas indagações e preocupações encontramos no Sermão da Vigilância.

COMENTANDO

Mateus 24,37-41: Como nos dias de Noé - um será tomado, outro será deixado
Quem determina a hora da chegada do fim é Deus. Mas o tempo de Deus não
se  mede pelo nosso relógio ou calendário. Para Deus, um dia pode ser igual a mil anos, e mil anos igual a um dia (Sl 90,4; 2Pd 3,8). O tempo de  Deus corre independentemente de nós. Nós não podemos interferir nele, mas devemos estar preparados para o momento em que a hora de Deus se fizer presente dentro do nosso tempo. Pode ser hoje, pode ser daqui a mil anos. O que dá segurança não é saber a hora do fim do mundo, mas sim a Palavra de Jesus presente na vida. O mundo passará, mas a palavra dele jamais passará (cf. Is 40,7-8).

Mateus 24,42-44: Vigilância - Jesus vem numa hora em que a gente menos espera. Pode até acontecer que Ele vem e a gente não percebe a hora da sua chegada. Jesus pede duas coisas: uma vigilância sempre atenta e, ao mesmo tempo, uma entrega tranquila de quem está em paz. Tal atitude é sinal de muita maturidade, em que se misturam preocupação vigilante e tranquilidade serena, e em que se consegue combinar a seriedade do momento com a consciência da relatividade de tudo. 

ALARGANDO

Quando será o fim do mundo? Quando dizemos
"FIM DO MUNDO", de que mundo estamos falando? O fim do mundo de que Jesus fala é o fim deste mundo, onde reina o poder do mal que esmaga e oprime a vida. Este mundo de injustiça terá um fim. Ninguém sabe quando nem como será o fim deste mundo (Mt 24,36), pois ninguém pode imaginar o que Deus preparou para aqueles que o amam (1Cor 2,9). O novo mundo da vida sem morte ultrapassa tudo, como a árvore ultrapassa a sua semente (1Cor 15,35-38). Os primeiros cristãos estavam ansiosos para que este fim chegasse logo (2Ts 2,2). Ficavam olhando para o céu, esperando a chegada de Cristo (At 1,11). Alguns nem trabalhavam mais (2Ts 3,11). Mas "não compete a vocês conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com a sua própria autoridade" (At 1,7). A única maneira de contribuir para que chegue o fim e "venham da face de Deus os tempos do refrigério" (At 3,20) é dar testemunho do evangelho em todo canto, até os confins da terra (At 1,8). 


Mesters, Lopes e Orofino

12/17/2015

"NÃO DEIXEM QUE LHES ROUBEM A ESPERANÇA"

A vida nasce onde menos se espera... (Lucas 1,39-56) 



Em resumo, o primeiro capítulo do Evangelho da Infância mostra como é reconhecida a ação de Deus em meio ao povo excluído, mas cheio de esperança, representado por Zacarias, Isabel e Maria. Dois eram idosos, uma era estéril e a outra ainda não havia tido relações sexuais com homem. Portanto, eram pessoas de quem não se esperava que pudesse nascer vida nova, que pudessem dar à luz uma criança.

Maria pôs-se a caminho... (Lucas 1,39) 

A narrativa proposta pode ser dividida em três momentos. O primeiro descreve a ida de Maria à casa de Isabel e de Zacarias, próxima de Jerusalém (Lucas 1,39-41), uma caminhada de mais de 100 km. De um lado, essa saída de casa faz-nos lembrar de tantas jovens que, como Maria, também deixam seus povoados quando engravidam, a fim de encontrar apoio em familiares que
moram distante. 

De outro lado, quando foi chamada para ser a mãe do Messias, Maria havia se disponibilizado para estar a serviço da Palavra de Deus (Lucas 1,38). Agora, ela já está a caminho para servir, para ser solidária com outra mulher, também grávida. É a solidariedade entre as mães que reconhecem em seus corpos o agir do Espírito divino, pois ambas receberam a graça da fecundidade de forma misteriosa. Mas não é somente o encontro de duas mulheres. É também o encontro de duas crianças ainda no útero de suas mães. É o encontro do Precursor com o Salvador. João alegra-se com a visita de Jesus (Lucas 1,41). Ainda no ventre materno, já aponta para seu primo como aquele que vem socorrer o seu povo num momento de forte repressão do império romano. 

Feliz aquela que acreditou... (Lucas 1,45)

A segunda parte desta narrativa é a saudação que Isabel faz a Maria (Lucas 1,42-45). Impulsionada pelo Espírito, a mãe de João Batista reconhece Maria como a mãe do Messias. Ao mesmo tempo em que elogia a sua fé (Lucas 1,45), a declara abençoada, bem-aventurada, assim como o fruto do seu ventre (Lucas 1,42). Essa saudação faz lembrar outras mulheres que também foram chamadas de benditas. São os casos de Jael (Juízes 5,24) e de Judite (Judite 13,18), ambas libertadoras de seu povo ameaçado por exércitos poderosos. Em Lucas 1,56, podemos ler que Maria ficou três meses com Isabel. Mais uma vez, os autores do texto fazem memória das Escrituras de Israel e querem nos apresentar Maria como a nova Arca da Aliança, pois em seu útero carrega o Emanuel, o Deus que está em nosso meio. É que, da mesma forma como Maria ficou os três meses com Isabel, também a antiga Arca da Aliança havia ficado durante três meses na casa de Obed-Edom (2 Samuel 6,2-11; cf. v. 11). Em outras palavras: os representantes da antiga Aliança, Zacarias (Javé se lembrou) e Isabel (Deus é plenitude), reconhecem a ação de Deus em Maria (a amada) e Jesus (Javé salva), representantes da nova Aliança. João (Javé é misericórdia) anuncia que a 
misericórdia de Deus na antiga Aliança vem se realizar plenamente em Jesus de Nazaré. Por isso, seus pulos de alegria no ventre de Isabel (Lucas 1,41.44), acolhendo o novo que está por nascer.

E encheu de bens os famintos... (Lucas 1,53)

A terceira parte do relato é a reação de Maria à saudação de Isabel, é o
cântico de Maria conhecido como Magnificat (Lucas 1,46-55). Ele está recheado de memórias da história de Israel, especialmente do canto de Ana, a mãe do profeta Samuel (1 Samuel 2,1-10). Entre outros textos, recorda também a profecia de Sofonias em favor dos pobres de Javé, o resto fiel a Deus (cf. Sofonias 2,3; 3,11-13). Maria é a legítima representante de todos os pobres que têm esperança. Da mesma forma como o profeta Habacuc (Hab 3,18), ela percebe a presença de Deus e se alegra com sua grandeza (Lucas 1,46-47). E o motivo dessa alegria é que, tal como na experiência libertadora do Êxodo (Êxodo 3,7-8), Deus viu a humilhação dos pobres e exerce sua misericórdia para com eles, estando a seu lado para libertá-los (Lucas 1,49-50; Salmo 103,17). 

Qual é a força capaz de promover essa libertação? É a força do braço de Deus, isto é, a força de sua justiça, que consiste e um projeto revolucionário que subverte relações desiguais. Se antes os poderosos humilhavam os pobres a partir de seus tronos, agora os famintos são exaltados e comem pão com fartura (Lucas 1,51-53). Mais que ser uma mulher submissa e alienada dos conflitos sociais de seu tempo, Maria é uma mulher de luta pela igualdade e pela superação de todas as injustiças. Ela é subversiva porque subverte as
relações de humilhação propondo a acolhida e a igualdade. Não é por acaso que seu filho seguiu os passos dela nesse caminho. É no engajamento pela superação de todas as formas de opressão que revelamos a misericórdia divina em nossa prática. A justiça de Deus se revela em seu agir na defesa dos fracos e contra todos os sistemas que os oprimem, sejam eles políticos ou econômicos, culturais, jurídicos ou religiosos. Nesse agir libertador se manifesta a aliança fiel e misericordiosa esperada desde as origens do povo hebreu (Lucas 1,54-55; Miqueias 7,20).

O Magnificat celebra a esperança na realização da vontade de Deus que liberta. E mais. Convida a todas as pessoas discípulas de Jesus a nos
juntarmos a Maria para colocar-nos a serviço desse projeto de Deus, de modo que também em nós se realize a sua Palavra (cf. Lucas 1,38). A ação divina em Maria foi possível por que ela acreditou (Lucas 1,45), ela deu a sua contribuição, colocando-se a serviço de Deus na solidariedade. Mais adiante, quando uma mulher também declarara Maria feliz, Jesus dirá a ela que “felizes, sobretudo, são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (cf. Lucas 11,27-28). E essa bem-aventurança soa forte para nós ainda hoje.

[Ildo Bohn Gass]



12/05/2015

PARTILHA:

A condição para receber a visita de Deus (Lc 3,1-6)


Neste texto, Lucas fala da grande expectativa que se criou no povo ao redor da pregação de João Batista. Ele anunciava um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Hoje também existe uma grande expectativa de conversão e de reconciliação com Deus que se manifesta de muitas maneiras.

Situando

Lucas situa a atividade de João Batista no 15º ano do governo de Tibério, imperador de Roma. Tibério foi imperador de 14 a 37 depois de Cristo. No ano 63 antes de Cristo, o império romano tinha invadido a Palestina, impondo ao povo uma dura escravidão. As revoltas populares se sucediam, uma depois da outra, sobretudo na Galileia, mas foram duramente reprimidas. De 4 antes a 6 depois de Cristo, durante o governo de Arquelau, a violência estourou na Judeia. Este fato levou José e Maria a voltarem para Nazaré na Galileia e não para Belém na Judeia (Mt 2,22).  No ano 6, Arquelau foi deposto e a Judeia foi transformada numa província romana com procurador diretamente nomeado pelo imperador de Roma. Pilatos foi um destes procuradores. Governou do ano de 26 a 36. Esta mudança no regime político trouxe certa calma, mas as revoltas esporádicas, como aquela de Barrabás (Mc 15,7) e a imediata repressão romana (Lc 13,1), lembravam a extrema gravidade da situação. 
Bastava alguém soprar na brasa e o incêndio da revolta explodia!A calma era apenas uma trégua, uma ocasião oferecida pela história, por Deus, para o povo fazer uma revisão do rumo da caminhada e, assim, evitar a destruição total. Pois Roma era cruel. Em caso de uma revolta, viria e acabaria com o Templo e a Nação. É nesse contexto que, em torno do ano 28 depois de Cristo, João Batista aparece anunciando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.

Comentando


1. Lucas 3,1-2: Lembrando os antigos profetas Lucas tem a preocupação de
situar os acontecimentos no tempo e no espaço. Ele dá os nomes dos governantes e descreve os lugares onde João atua. Pois a história da salvação não é uma história distinta da nossa. Ela é a nossa história. A maneira como Lucas introduz a pregação de João é semelhante ao início dos livros dos antigos profetas. Eles costumavam indicar quem era o rei na época em que o profeta exercia a sua atividade. Veja, por exemplo, Isaías (Is 1,1), Jeremias (Jr 1,1-3), Oséias (Os 1,1), Amós (Am 1,1) e outros. Lucas faz o mesmo para dizer que, após quase 500 anos sem profeta, aparece novamente um profeta. Ele se chama João, o filho de Isabel e Zacarias.

2. Lucas 3,3: Arrependimento e perdão João percorre a região do Jordão pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. Arrependimento (em grego: metanóia) significa mudança não só de comportamento, mas também de mentalidade. O povo devia tomar consciência de que o seu modo de pensar, marcado pela propaganda do Governo e do Templo, estava errado. Perdão traz consigo a reconciliação com Deus. João anuncia uma nova maneira do povo se relacionar com Deus.

3. Lucas 3,4-6: Definindo a missão de João Lucas cita o seguinte texto de Isaías para ajudar os leitores e as leitoras a entenderem melhor o significado da pregação de João: "Voz que clama no deserto! Preparem os caminhos do Senhor!" (Is 40,3). Neste texto, Isaías anunciava a volta do povo do exílio e a descrevia como se fosse um novo Êxodo. Era como se o povo, voltando do cativeiro da Babilônia, saísse do Egito e entrasse novamente no deserto. Para Lucas, Jesus inicia um novo Êxodo que estava sendo preparado pela pregação de João Batista no deserto.

Os Evangelhos de Mateus (Mt 3,3) e de Marcos (Mc 1,3) também citam a mesma frase de Isaías mas citam apenas o começo (Is 40,3). Lucas a cita por inteiro até onde Isaías diz: "E toda a carne verá a salvação de Deus" (Is 40,5). A expressão "toda a carne" significa todo o ser humano. Esta pequena diferença mostra a preocupação de Lucas em mostrar para as comunidades que a abertura para os pagãos já estava prevista pelos profetas! Jesus não veio só para os judeus, mas para que "toda a carne" pudesse ver a salvação de Deus.


Mesters e Lopes

ADVENTO: TEMPO DE ESPERANÇA

Está próxima a vossa libertação


Lucas 21,25-28.34-36


Faz uma semana, no último domingo do ano litúrgico, que celebramos a festa de Cristo rei. Jesus é o nosso rei. Ele conduz nossas vidas pelo caminho do Reino de Deus. Como seus discípulos e suas discípulas, buscamos testemunhar as relações desse Reino. Relações que são de amor e de verdade. Com a força de Jesus ressuscitado, lutamos contra outro reinado, isto é, as forças do ídolo riqueza, que nos seduz cotidianamente.

Neste final de semana, com o primeiro domingo do Advento, iniciamos um novo ano litúrgico. E, mais uma vez, em todas as comunidades, anunciamos a chegada de Jesus. No domingo passado, celebramos Jesus como rei cuja montaria humilde é um jumento (João 12,12-19), cujo cinto é a toalha do serviço (João 113,1-17), cujo trono é a fidelidade até a cruz (João 19,19) e cuja injusta coroa é de espinhos (João 19,2.5).

Hoje, celebramos a presença de Jesus como nosso rei na fragilidade e na ternura de uma criança. Definitivamente, as relações com base na ternura, na humildade e no serviço, na fidelidade e na justiça são próprias do Reino de Deus. Não, porém, dos reinos deste mundo. Estes alimentam o ódio, a ganância, o individualismo, a posse sobre bens e pessoas como sentido de vida.

Nas narrativas do capítulo 21 de Lucas, quando o evangelho foi escrito pelos anos 90, as comunidades olham para trás e fazem uma releitura da tomada de Jerusalém pelos romanos. A destruição do templo foi no ano 70. Assim, elas querem compreender melhor, em seu tempo, como viver a missão na fidelidade ao projeto de Jesus, que é tornar realidade a libertação plena. E o evangelho de hoje é parte deste capítulo.

Erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação (vv. 25-28)


Em Lucas 21,25-28 Jesus está em Jerusalém, continuando sua missão profética na
cidade que era o centro econômico, político e religioso daquela região.
Como profeta, denuncia a exploração das pessoas mais vulneráveis, que os controladores do templo realizavam (21,1-4), e anuncia o fim daquele sistema de morte (21,5-6). Com imagens da apocalíptica judaica, descreve a tomada de Jerusalém pelos romanos (21,7-26). A referência ao sol, à lua e às estrelas (v. 25) é uma forma de falar da presença de Deus que age em favor de quem assume seu projeto. Quer, portanto, animar a esperança.
Os vv. 25-26 também descrevem os horrores da guerra. Há angústia e perplexidade. Há desfalecimentos, medos e ameaças. Pode ser paz para o império. Porém, é violência e morte para os povos conquistados.

As comunidades cristãs leram esses acontecimentos como julgamento de Deus. É o fim de uma era, o tempo da antiga aliança. Inicia-se uma nova era, o tempo na nova aliança.

Desde as origens das comunidades cristãs, já antes da destruição do templo, a execução de um inocente na cruz, por sua fidelidade ao projeto do Reino do Pai, foi compreendida como julgamento de Deus na história. De um lado, condenando os responsáveis pelas estruturas de morte. De outro, salvando as vítimas desse sistema, os pobres, os que têm fome, os que choram e as pessoas agredidas pelo ódio, pela mentira e pela calúnia, na linguagem de Lucas 6,20-23.

No entanto, convém ter presente que as comunidades originárias viviam, tal como o próprio Jesus, em um ambiente carregado por uma espiritualidade apocalíptica. É uma mística de denúncia profética em tempos de grandes perseguições e de muita violência e quer animar as comunidades para resistir nesses tempos difíceis. A linguagem apocalíptica se refere ao presente, não a um futuro remoto. Com essa mentalidade, as comunidades compreendiam o final dos tempos como já inaugurado por Jesus na cruz. Portanto, já viviam provisoriamente o Reino e alimentavam a expectativa, para breve, da chegada ou presença de Jesus glorioso, a fim de instaurar, aqui na terra, definitivamente um Reino sem violência e de paz (cf. 1 Tessalonicenses 4,13-5,3). Chamavam essa vinda de Jesus de Parusia, que, em grego, significa vinda, chegada, presença. Com a entrada do latim na Igreja, substituiu-se Parusia por Advento.

A partir dessa teologia apocalíptica, as comunidades interpretaram a destruição de Jerusalém como o início da instauração definitiva do Reino, mas que já começara com a ressurreição de Jesus. Viram esta guerra como profecia realizada em Jesus, o filho humano, tal como anunciara o profeta Daniel (Daniel 7,13-14). Porém, o Reino não se realizou plenamente naquele momento histórico, como esperavam. Então, compreenderam que era preciso continuar sua concretização através da prática continuada de novas relações nas comunidades como fermento que transforma as estruturas deste mundo. A vinda de Jesus, o humano, já é presença no testemunho dos cristãos. A libertação é um processo, seja ele dentro ou fora de nós. Daí o convite de engajamento nesse processo libertador que Jesus continua a nos fazer ainda hoje: “Erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação” (Lucas 21,28).

Vigiai e orai para terdes a força de ficar de pé (vv. 34-36)

A segunda parte de nosso evangelho é um convite para o discernimento entre duas propostas. É o projeto de Deus de um lado, e, de outro, o projeto do ídolo riqueza. É um convite para resistir contra este e aderir àquele. Não se pode servir a dois senhores, a Deus e à riqueza, alertava Jesus (cf. Lucas 16,13).

Coração é o lugar da consciência, o centro das decisões. Por isso, a comunidade de Lucas nos convida a discernirmos quais são as atitudes condizentes com esse projeto do ídolo riqueza e que tornam pesados os nossos corações. São as posturas que nos escravizam diante do Deus Mamon (qualquer riqueza idolatrada, grande ou pequena). E cita algumas: orgia ou libertinagem, embriaguez e preocupações mundanas. Entre essas preocupações terrenas, poderíamos lembrar o individualismo, a ganância para acumular, a ambição pelo poder e pelo prestígio, etc., etc.

Em vez de ter um coração pesado, Lucas nos convida a ter um coração leve. E ter um coração leve quer dizer viver de acordo com os valores do Reino, a partilha, a misericórdia, a compaixão, a solidariedade. Somente é capaz de viver esses valores quem tem um coração generoso, um coração valente. Vivendo assim, a qualquer hora, estaremos preparados para o dia do julgamento. O dia do julgamento não é o fim do mundo, mas a transformação permanente das estruturas de morte. Cada vez que a justiça supera a injustiça, o julgamento de Deus se realiza. Cada vez que a mentira e a farsa são desmascaradas, o julgamento do Reino se torna realidade.

Para ter coração leve, Lucas nos convida à atenção, à vigilância permanente para não cair nas armadilhas, nos laços do ídolo riqueza. Ao mesmo tempo, indica a atitude orante como caminho que conduz à fonte onde buscar forças para escapar dos laços que escravizam e ficar de pé diante de Jesus, o humano, no dia de libertação. Ficará de pé quem tiver perseverado na justiça, na verdade e na transparência, pois será considerado justo, portanto, inocente.


Iniciamos o Advento, tempo de presença, de chegada da boa nova de Deus na ternura de uma criança. É um Advento que não termina, pois Jesus já é presença permanente entre nós. Basta buscá-lo e querer encontrá-lo. Que vigiemos em permanente atitude de oração na busca de forças para ter coração leve e ficar de pé diante da avalanche de ódio e de mentira que este mundo nos quer impor a cada dia, tornando pesados os nossos corações. Que a luz de Jesus menino nos ilumine para nos manter firmes no respeito ao diferente, no perdão a quem nos calunia e no caminho da justiça para muitos, “pois está próxima a vossa libertação”. Amém.


[Ildo Bohn Gass]

12/10/2013

O tempo do Advento: As Figuras do Advento

As Figuras do Advento:


ISAIAS

É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados. As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.



JOÃO BATISTA

É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s). A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-lo como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo. João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.

MARIA

Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se "preparou" para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de "Faça-se em mim segundo a sua Palavra" (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc. Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.


JOSÉ

Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi". José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.




12/08/2013

O tempo do Advento: Espiritualidade do advento

Espiritualidade do advento

A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.

Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!

O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.

O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, "lutando até o sangue" contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.

No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.

12/07/2013

O tempo do Advento: Teologia do Advento

Teologia do Advento

O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor. Jesus que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15).

O Advento recorda também o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação, mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos. O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da missionariedade de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para santificá-lo. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.

A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referencia e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

12/01/2013

ADVENTO: reavivar a esperança

ADVENTO: reavivar a esperança

 Advento é um tempo bonito, alegre e marcado pela esperança; mas é breve, como nossa vida que, de fato, é o tempo real significado por este tempo litúrgico. O Advento coloca-nos no contexto das promessas de salvação, anunciadas pelos profetas e cumpridas com o envio do Salvador prometido ao mundo e sua manifestação na palavra e na ação de Jesus. É tempo de esperança e de alegria.

A celebração do Natal recorda-nos a surpreendente proximidade de Deus em  relação aos homens; o Filho de Deus veio ao mundo para estar próximo de cada pessoa e para revelar-lhe humanamente o amor de Deus. Por que, será, que o Natal nos traz um clima geral de serenidade e paz, de alegria e fraternidade? Não será porque nos sentimos mais próximos de Deus, amados por Ele e “salvos” de nossas limitações e preocupações diárias?

Mas o Advento também aponta para o futuro, para a realização plena da salvação de Deus. Desde agora, já vislumbramos, através do véu da fé, aquilo que ainda esperamos; sabemos que Deus é fiel e cumprirá suas promessas. Por isso, enquanto vivemos “de esperança em esperança”, a Igreja nos recorda sempre de novo que, durante este tempo, devemos ser operosos na prática do bem e vigilantes, para não distrair-nos, nem desviar-nos do caminho certo. O Senhor glorioso pode vir ao nosso encontro a qualquer momento e pedir contas de nossa vida; quem tiver sido fiel a Deus na vida, perseverante na prática do bem e coerente com o reino de Deus, verá a plenitude da vida.  É o que todos desejamos e buscamos!

Em nossos tempos é muito importante recordar este horizonte de esperança da nossa existência e a responsabilidade que todos temos de viver bem, pois a vida é dom e tarefa. Recordava o Papa Bento 16, na encíclica Spe salvi (Salvos na Esperança), que um dos aspectos mais preocupantes da cultura do nosso tempo é a ausência da esperança – daquela grande Esperança, que vai além daquilo que nós mesmos podemos dar-nos, e que somente Deus pode dar-nos.

Li, recentemente, a entrevista de uma pessoa que afirmava não crer em Deus e que estava bem assim: “não quero ser salva, não preciso de Deus”. Será mesmo?! Muitas vezes, o sonho inteiro de uma vida se resume em comer, beber, divertir-se, ter casa, dinheiro, saúde... São coisas boas, e quem não as quer?! Mas não são elas o objetivo da vida. Nosso coração deseja mais e continua inquieto. Não devemos enganá-lo, dando-lhe apenas “coisas”, que não podem satisfazê-lo plenamente! Só Deus mesmo é o supremo bem do homem.

Pensando nisso, não deixa de preocupar que este período do ano, mais que todos, é marcado pelo consumismo desenfreado: a promessa da felicidade em cada artigo posto à venda, a corrida compulsiva às compras, a necessidade de comer e beber bastante no Natal, presentes dados e recebidos... É difícil resistir ao clima contagiante que a corrida ao consumo de bens cria; parece que a felicidade tem fórmula mágica e hora marcada para acontecer: “a gente pensa que em pacotes compra a paz”... É sempre mais evidente a perda do sentido cristão do Advento e do Natal!

O Advento cristão é um convite para ouvir mais a Palavra de Deus, rezar mais intensamente, voltar-se para os motivos mais profundos do nosso viver, fazer um balanço de nossas vidas; é tempo de acordar a esperança sobrenatural esquecida, de praticar a solidariedade, confessar os pecados, abrir as portas e acolher o Deus-que-vem e já está no meio de nós! Não percamos de vista nossa fé e esperança!

Eis a nossa tarefa de cristãos! Não deixemos de dar nossa contribuição para uma cultura que se empobrece sempre mais e perde os altos referenciais para a vida humana. Anunciamos a dimensão sobrenatural da nossa existência e o caminho para alcançá-la Esta luz brilhou para os pastores na noite de Belém e continua a brilhar para todos na pessoa de Jesus Cristo, “luz do mundo”!

Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo - SP

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 29/11/2011

O tempo do Advento


A partir de hoje, estaremos publicando pequenos textos que falam um pouco doTempo do Advento, tempo de espera ansiosa pela vinda de Jesus Salvador.
São ao todo seis textos, acompanhe!

Introdução

A palavra "advento" quer dizer "que está para vir". O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.

O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos. Nesta ano o primeiro domingo do advento é no dia 27.

Esse Tempo possui duas características: As duas últimas semanas, dos dias 10 a 24 de dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.

11/30/2013

Tempo do Advento

Foto: Ir. Zuleides, ascj.

O tempo do Advento, quatro semanas que antecedem o Natal, é oportunidade para um mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de esperança, preparação alegre para a vinda do Senhor, meio precioso de recordar o mistério da salvação e reavivar os valores cristãos. Começa às vésperas do domingo mais próximo do dia 30 de novembro.

Tempo de esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, na vida eterna; esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida. É tempo propício à conversão, a "preparar o caminho do Senhor", vencendo o pecado, por meio de uma disposição maior para a Oração e mergulho na Palavra. O Advento deve ser celebrado com sobriedade e discreta alegria. Flores e instrumentos musicais sejam usados com moderação, para não antecipar a plena alegria do Natal de Jesus.

Coroa do Advento

Entre os símbolos do Advento, está a coroa ou grinalda, feita de galhos verdes entrelaçados, formando um círculo; nele são colocadas quatro velas representando as quatro semanas do Advento. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante, até serem acesas as quatro velas no 4° domingo. ·.
A Coroa de Advento tem a sua origem em uma tradição pagã européia. No inverno, acendiam-se velas que representavam o “fogo do deus sol”, na esperança de que a sua luz e o seu calor voltassem. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. Partiam de seus costumes para anunciar-lhes a fé.

A coroa apresenta símbolos:
Forma circular - O círculo é símbolo do amor de Deus que é eterno, sem princípio, sem fim; também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma idéia de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”.
Ramas verdes - É a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna.
Quatro velas - Simbolizam as quatro semanas do Advento. No início, a coroa sem luz recorda-nos a experiência de escuridão do pecado. Na medida em que se aproxima o Natal, vamos acendendo uma a uma as quatro velas, representando assim a chegada, entre nós, do Senhor Jesus, luz do mundo, que dissipa a escuridão.

Quanto à cor das velas, podemos usar:
A) Três roxas e uma rosa: A cor roxa é um convite a purificar os nossos corações, para acolher o Cristo que vem. A cor rosa, no terceiro domingo, é um chamado à alegria, pois o Senhor está próximo. Detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.

B) Quatro velas nas cores litúrgicas:
Roxa - cor penitencial que lembra o perdão concedido a Adão e Eva.
Vermelha - expressa a fé de Abraão e demais Patriarcas.
Branca - simboliza a alegria do rei Davi que recebeu de Deus a promessa de uma aliança.
Verde - recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.
C) Na falta de velas coloridas, podemos usar velas brancas ou amarelas, decorando-as com as cores das opções anteriores.  

Que a nossa preparação para o Natal de Jesus seja alegre e cristã!

Ir. Zuleides, ascj

Fonte: Revista Triunfo do Coração de Jesus - Edição de Natal 2009