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12/12/2015

PAPA FRANCISCO

ANO SANTO DA MISERICÓRDIA

ABERTURA DA PORTA SANTA

Neste dia 8 de dezembro (2015), o Papa Francisco abriu solenemente a Porta Santa – a Porta da Misericórdia em Roma. Com esta cerimônia iniciou-se oficialmente o Ano Santo da Misericórdia (8/12/2015 – 20/11/2016). O gesto simbólico da abertura da porta é muito profundo. Em todas as catedrais do mundo, santuários e outras igrejas designadas pelo Bispo diocesano deve acontecer a mesma ação litúrgica.
Eis alguns significados da Porta Santa.
1)    Jesus é a porta (cf. Jo 10,7). Passar por esta porta significa mudar de vida, buscar uma conversão mais profunda, crescer na santificação, prosseguir na cristificação de todo o nosso ser. Jesus com o coração transpassado na cruz,
abriu a porta da salvação para todos e derrubou as muralhas da inimizade. Trouxe a paz ao mundo. Ele mesmo está à porta do nosso coração e bate (cf. Apoc. 3,26).
2)    Somos convidados e interpelados a abrir a porta dos nossos corações a Cristo e aos irmãos. Ter o coração aberto para amar e servir significa estar aberto à mística e à missão, à contemplação interior e à transformação da realidade.
3)    A porta do perdão. O Ano Santo da Misericórdia é antes de tudo um apelo à reconciliação. Perdoar é um “imperativo do Ano Santo” (Papa Francisco). Perdoar sempre, logo, de todo coração e com alegria.
4)    A porta do diálogo. Comunicar-se, relacionar-se, acolher, saber ouvir, entrar em comunhão são modalidades de diálogo interpessoal e social. O Papa pede a
“cultura do diálogo”.
5)    A porta das casas. Quantas portas blindadas, trancadas, fechadas, cerradas. Quanto medo, isolamento, separação, distância que precisam ser superadas. É necessário abrir as portas da hospitalidade, das fronteiras, dos condomínios, dos edifícios para ver o lado de fora e ir ao encontro do irmão.
6)    As portas dos hospitais, dos presídios, das repartições públicas, das secretarias paroquiais, como também a portaria dos edifícios, precisam ser mais abertas para as pessoas entrar e sair. Quando fechamos as portas da frente, as portas de trás correm perigo de serem arrombadas. 
7)    As portas da justiça. Através das sete obras de misericórdia corporais e espirituais abrem-se as portas da justiça. A sete obras de misericórdia corporais
são: dar de comer, de beber, de vestir o nu, acolher o forasteiro, assistir os presos, visitar os doentes, sepultar os mortos. As obras espirituais são: dar bom conselho, ensinar os analfabetos, corrigir os que erram, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar os defeitos, rezar pelos vivos e mortos.
8)    As portas da igrejas são as portas dos templos e das secretarias paroquiais, mas, principalmente o acolhimento, a boa recepção, a gentileza, o atendimento dos fiéis. Nossos rigidismos, legalismos e moralismos fecham as portas aos sacramentos, à participação na vida da Igreja, à partilha dos bens.
9)    A porta da fé (cf. Atos 14,27). Esta é a “porta das portas” que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na Igreja, isto é, a porta do batismo. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira.
10)                      Referindo-se à “Grande Porta da Misericórdia”, O Papa Francisco convida-nos a ter coragem para passar por esta porta porque temos dentro de nós coisas que pesam. Por outro lado, todos que têm incumbência da “gestão da porta” como os recepcionistas, os telefonistas, os guardiões, os ascensoristas,
tenham paciência, bondade e gentileza com todos. Isso vale em primeiro lugar para nossas secretarias paroquiais. Ser porteira(o) não é
ser patroa, nem patrão, mas recepcionista. Hóspede vem, Cristo vem, ensinava São Bento. Abrir as portas das estruturas humanas e eclesiásticas é uma urgência, diz o Papa. Lembremos que Deus, em sua misericórdia, não se cansa de nos acolher de braços abertos, pois a porta do seu coração está sempre aberta.
Por fim, Jesus nos convida a entrar no quarto, fechar a porta, para rezar ao Pai. Na oração silenciosa, com as portas fechadas, abrem-se as portas da nossa mente, nosso coração, ou seja, as portas da esperança.

Por Dom Orlando Brandes - Arcebispo Metropolitano de Londrina

joaobortoloci@bol.com.br

12/08/2015

ANO SANTO DA MISERICÓRDIA

Boletim da Santa Sé
Irmãos e irmãs!
Daqui a pouco, terei a alegria de abrir a Porta Santa da Misericórdia. Este gesto, como eu fiz em Bangui, muito simples mas altamente simbólico, realizamo-lo à luz da Palavra de Deus escutada que põe em evidência a primazia da graça. Na verdade, o tema que mais vezes aflora nestas Leituras remete para aquela frase que o anjo Gabriel dirigiu a uma jovem mulher, surpresa e turbada, indicando o mistério que a iria envolver: «Salve, ó cheia de graça» (Lc 1, 28).
Antes de mais nada, a Virgem Maria é convidada a alegrar-Se com aquilo que o Senhor realizou n’Ela. A graça de Deus envolveu-A, tornando-A digna de ser mãe de Cristo. Quando Gabriel entra na sua casa, até o mistério mais profundo, que ultrapassa toda e qualquer capacidade da razão, se torna para Ela motivo de alegria, de fé e de abandono à palavra que Lhe é revelada. A plenitude da graça é capaz de transformar o coração, permitindo-lhe realizar um ato tão grande que muda a história da humanidade.
A festa da Imaculada Conceição exprime a grandeza do amor divino. Deus não é apenas Aquele que perdoa o pecado, mas, em Maria, chega até a evitar a culpa original, que todo o homem traz consigo ao entrar neste mundo. É o amor de Deus que evita, antecipa e salva. O início da história do pecado no Jardim do Éden encontra solução no projeto de um amor que salva. As palavras do Gênesis levam-nos à experiência diária que descobrimos na nossa existência pessoal. Há sempre a tentação da desobediência, que se exprime no desejo de projetar a nossa vida independentemente da vontade de Deus. Esta é a inimizade que ameaça continuamente a vida dos homens, tentando contrapô-los ao desígnio de Deus. E todavia a própria história do pecado só é compreensível à luz do amor que perdoa. Se tudo permanecesse ligado ao pecado, seríamos os mais desesperados entre as criaturas. Mas não! A promessa da vitória do amor de Cristo encerra tudo na misericórdia do Pai. Sobre isto, não deixa qualquer dúvida a palavra de Deus que ouvimos. Diante de nós, temos a Virgem Imaculada como testemunha privilegiada desta promessa e do seu cumprimento.
Também este Ano Santo Extraordinário é dom de graça. Entrar por aquela Porta significa descobrir a
profundidade da misericórdia do Pai que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que busca, que vem ao nosso encontro. Neste Ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia. Que grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça, quando se afirma, em primeiro lugar, que os pecados são punidos pelo seu julgamento, sem antepor, diversamente, que são perdoados pela sua misericórdia (cf. Santo Agostinho, De praedestinatione sanctorum 12, 24)! E assim é verdadeiramente. Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia. Por isso, oxalá o cruzamento da Porta Santa nos faça sentir participantes deste mistério de amor, de ternura. Ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna em quem é amado; vivamos, antes, a alegria do encontro com a graça que tudo transforma.
Hoje, e em todas as dioceses do mundo, ao cruzar a Porta Santa, queremos também recordar outra porta que, há cinquenta anos, os Padres do Concílio Vaticano II escancararam ao mundo. Esta efeméride não pode lembrar apenas a riqueza dos documentos emanados, que permitem verificar até aos nossos dias o grande progresso que se realizou na fé. Mas o Concílio foi também, e primariamente, um encontro; um verdadeiro encontro entre a Igreja e os homens do nosso tempo. Um encontro marcado pela força do Espírito que impelia a sua Igreja a sair dos baixios que por muitos anos a mantiveram fechada em si mesma, para retomar com entusiasmo o caminho missionário. Era a retomada de um percurso para ir ao encontro de cada homem no lugar onde vive: na sua cidade, na sua casa, no local de trabalho… em qualquer lugar onde houver uma pessoa, a Igreja é chamada a ir lá ter com ela, para lhe levar a alegria do Evangelho. Trata-se, pois, de um impulso missionário que, depois destas décadas, retomamos com a mesma força e o mesmo entusiasmo. O Jubileu exorta-nos a esta abertura e obriga-nos a não transcurar o espírito que surgiu do Vaticano II, o do Samaritano, como recordou o Beato Paulo VI na conclusão do Concílio. Atravessar hoje a Porta Santa compromete-nos a adotar a misericórdia do bom samaritano.
joaobortoloci@bol.com.br


6/03/2015

EIS O PÃO DA VIDA

FESTA DE CORPUS CHRISTI


“A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas. Propriamente é a Quinta-feira Santa o dia da instituição, mas a lembrança da Paixão e Morte do Salvador não permite uma celebração festiva. Por isso, é na Festa de Corpus Christi que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma.”

São Guido Maria Conforti, fundador dos missionários xaverianos assim falava da Eucaristia: «Nela se concentra toda a religião de Cristo. Ela visa ligar o homem a Deus para santificá-lo. E essa união na terra acontece justamente através da Eucaristia, de modo que a Religião sem a Eucaristia ficaria sem se cumprir, sem fervor, sem alma, sem vida. »

“Ó pais, a vós me dirijo de modo particular, exortando-vos a levar o amor e a prática da Eucaristia às vossas famílias. Não há espetáculo mais belo e emocionante do que aquele oferecido por um pai e mãe que se aproximam da Mesa sagrada acompanhados de seus filhos, na mesa de Deus renovando as doces intimidades do lar”.
“A Eucaristia é um convite a voltarmos para Cristo, porque longe dele não encontraremos senão trevas e morte.
v    Somos pobres, e Ele é a fonte de todo bem, de toda verdadeira riqueza;
v    Estamos doentes e Ele é o médico divino que cura todas as enfermidades;
v    Estamos cegos e Ele é a luz que ilumina cada homem sobre a terra;
v    Somos fracos e Ele é a fonte da energia e da força”.


       O Papa Francisco falou da Palavra de Deus e da Eucaristia como grandes fontes de alegria cristã. O Santo Padre destacou que esses são dois elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor. “Sempre, a Palavra de Deus e a Eucaristia nos enchem de alegria. Quando você está triste, pegue a Palavra de Deus e vá Missa de domingo fazer a comunhão, participar do mistério de Jesus”. “A estrada de Emaús torna-se assim símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor”.

joaobortoloci@bol.com.br


10/01/2013

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO AO DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2013

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO 
PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2013
(20 DE OUTUBRO DE 2013)

 Queridos irmãos e irmãs,
Este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.

1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação connosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus nos ama! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. «O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham connosco o caminho da vida.

2. Celebrado cinquenta anos depois do início do Concílio Vaticano II, este Ano da Fé serve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé: «Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações» (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 8); e isso, não como um aspecto secundário da vida cristã, mas um aspecto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.

3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência, vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que, «quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um acto de Igreja». Ele não age «por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma» (ibid., 60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.

4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através dos novos mídias misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns baptizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma «nova evangelização». A tudo isso se junta o facto de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos num momento de crise que atinge vários sectores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela acção do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos presbíteros fidei donum, aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança. Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus «ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda, mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem, com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária ad gentes e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.

Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros fidei donum e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua primeira viagem missionária, «contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé» (Act 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de «restituição» da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de cada baptizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão do Evangelho no mundo.
Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo, encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Não poucos arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).

Bento XVI exortava: «Que “a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro» (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários, possamos experimentar «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de Maio - Solenidade de Pentecostes – de 2013.

FRANCISCO

7/30/2013

CRISTO LHE CHAMA

IDE SEM MEDO PARA SERVIR

Caríssimos Jovens
Muita paz e ardor missionário!


O Papa Francisco, grande presente de Deus para a nossa Igreja, nos visitou, nos deu um banho de acolhimento, de amor, de alegria, assumiu o “cheiro das ovelhas” juventude e povo brasileiro, esquentou o nosso coração com suas reflexões e seu testemunho sobretudo com sua opção de vida pelos pobres, desafiou-nos para sermos construtores da Igreja e protagonistas da história.

Vejam alguns trechos de suas lindas reflexões:

Também hoje o senhor continua precisando de vocês, jovens. Também hoje ele chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja, para serem missionários.
Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que dêem pleno sentido para a vida.
Deixem que o Espírito Santo fale aos seus corações. Perguntem a Jesus: ‘O que quer que eu faça? O que quer da minha vida?’
Todos somos parte da Igreja. Nos transformamos em construtores da Igreja e protagonistas da História. Não deixem que outros sejam protagonistas, sejam vocês. Vocês têm o futuro nas mãos. Por vocês, é que o futuro chegará. Peço que vocês também sejam protagonistas, superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às questões políticas que se colocam em diversas questões do mundo. Envolvam-se num mundo melhor. Não sejam covardes, metam-se, saiam para a vida. Jesus não ficou preso dentro de um casulo. Saiam às ruas como fez Jesus.

IDE. Durante estes dias, aqui no Rio, vocês puderam fazer a bela experiência de encontrar Jesus e de
encontrá-lo juntos, sentindo a alegria da fé. Mas a experiência deste encontro não pode ficar trancafiada na vida de vocês ou no pequeno grupo da paróquia, do movimento, da comunidade de vocês. Seria como cortar o oxigênio a uma chama que arde. A fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (cf. Rm 10,9).

                               Mas, atenção! Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, mas: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações».


SEM MEDO. Alguém poderia pensar: «Eu não tenho nenhuma
preparação especial, como é que posso ir e anunciar o Evangelho»? Querido amigo, esse seu temor não é muito diferente do sentimento que teve Jeremias, um jovem como vocês, quando foi chamado por Deus para ser profeta: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Deus responde a vocês com as mesmas palavras dirigidas a Jeremias: «Não tenhas medo... pois estou contigo para defender-te» (Jr 1,8). Deus está conosco!


PARA SERVIR. A vida de Jesus é uma vida para os demais. É uma vida de serviço.
Precisamos deixar que a nossa vida se identifique com a vida de Jesus,  com os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas ações. Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus. Não se esqueçam: vocês são o campo da fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor .

Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe alegria. Queridos jovens, regressando às
suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho. Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês! Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, lhes acompanhe sempre com a sua ternura: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Amém.

DEUS SEJA LOUVADO por tantas graças e bênçãos derramadas sobre nós, sobre a Igreja, sobre o Brasil e sobre o mundo inteiro com a presença do Papa Francisco nesta Jornada Mundial da Juventude em nosso País.

“BOTE FÉ”


Se você Jovem sentir que Deus lhe chama para Consagrar sua vida pela causa do anúncio do
Evangelho em todas as nações, veja o que diz o Fundador da Congregação dos Missionários Xaverianos para você: “Responda generosamente. Iremos lhe seguir por qualquer caminho, iremos a qualquer lugar, será nossa glória ficar por toda vida às suas ordens”. (São Guido Maria Conforti)

ESCREVA PARA NÓS!



7/25/2013

ESPERANÇA NA JUVENTUDE

O PAPA  DAS SURPRESAS DE DEUS

Chegou a grande SEMANA DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE e com ela a
chegada do PAPA FRANCISCO. Ele parte carregando sua pequena mala e chega com alegria distribuindo o acolhimento e a ternura que vem de Deus.

O PAPA DO POVO

Há um ditado que “Deus escreve certo por linhas tortas” e foi isso que aconteceu já na chegada com o erro do percurso do aeroporto para a Catedral onde o papa se viu no meio do povo, cercado pelo povo, sem medo do povo, sobretudo dos pobres. Fica com o vidro da porta do carro aberto saudando, tocando e sendo tocado pelo povo. Os jornais internacionais chamaram a atenção das autoridades brasileiras pelo risco que deixaram o papa correr. Porém ele quer correr o risco e tomou um banho do amor, do carinho e da fé do povo brasileiro e, ao mesmo tempo deu um banho de ternura.

O PAPA QUE ACREDITA NOS JOVENS

Chegou pedindo licença para entrar em nossa casa batendo na porta do coração. Exalta a afetividade e o carinho do povo brasileiro e nos trás com presente nem ouro e nem prata e sim  Jesus Cristo. Fala com simplicidade e autoridade usando ditados populares como “a juventude é a pupila dos nossos olhos”. Precisamos cuidar com carinho dela senão vamos andar nas trevas. A juventude é a janela por onde entra a esperança no mundo e Cristo bota fé nos jovens e os convoca para serem discípulos e fazer discípulos entre todas as nações.

O PAPA DA TERNURA

Manifesta de muitas maneiras a ternura de Deus Pai e Mãe, de maneira
especial no encontro com as crianças. Já foram muitas as crianças abraçadas e beijadas pelo papa neste pouco tempo de presença no Brasil. Ele mesmo toma a iniciativa de pedir para  parar o carro para acolher os pequenos. Porém ele mesmo diz que não basta um abraço, é preciso estender a mão, ser defensor da vida. O seu olhar de ternura diante de Imagem de Nossa Senhora Aparecida tocou profundamente no coração do povo.

O PAPA DA DEVOÇÃO MARIANA

Viemos bater à porta da casa de Maria e entregar para ela a Jornada Mundial da Juventude. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Sem Cristo não há luz, esperança e futuro. Longe dele o vinho da alegria se esgota. Sempre que tivermos uma cruz para carregar, Maria está ao nosso lado para nos ajudar. Recebe de presente a imagem de Nossa Senhora Aparecida, beija-a com ternura, abençoa o povo com ela e sai no final da celebração com ela ao colo saudando com alegria os devotos marianos.

O PAPA DO CONCÍLIO VATICANO II

Na celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II a Igreja recebeu de presente o Papa Francisco que está resgatando a imagem da Igreja “Povo
Deus”. Ele disse que o Documento de Aparecida é fruto do trabalho dos pastores mas também da fé do povo simples dos romeiros e devotos de Nossa Senhora. Ele vem para confirmar, revigorar a nossa fé e nossa caminhada de Igreja  “Povo de Deus”. Vem acender em nossos  corações a esperança de uma Igreja que se renova, que continua a sua incessante reforma. Quantos gestos significativos: pela primeira vez um papa subiu a escada do avião carregando nas mãos a sua maleta, sem confiá-la aos seus colaboradores. Eleito papa no dia  13 de março, antes de dar a bênção apostólica ao povo, pediu que o povo invocasse para ele a bênção de Deus e se inclinou em um silêncio de adoração a Deus, de oração a Deus, mas também de profunda comunhão. Em muitos momentos recordou a presença da Igreja que nos acompanha e que conta conosco na missão de evangelizar.

O PAPA DA ESPERANÇA

Falando aos Jovens da dependência química fez um apelo: “não deixem que
lhes roubem a esperança.Não roubemos a esperança dos outros. Sejamos portadores de esperança. Os jovens experimenta muitos ídolos que parecem dar esperança porém que levam a frustrações profundas. Não esqueçamos o nosso compromisso missionário de levar a Palavra de Deus à todos, sobretudo aos que mais sofrem. Precisamos trabalhar contra a sociedade do descartável e do egoísmo. Na homilia da Missa em Aparecida deixou-nos três atitudes fundamentais:
1- Conservar a esperança: porque a força de Deus é mais forte do que o mal. Tenham sempre no coração esta certeza: Deus caminha a seu lado.
2- Deixar-se surpreender por Deus: Deus sempre nos reserva o melhor e nos surpreende com o seu amor.
3- Viver na alegria: Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. 

      "Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma
visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade”.


MUITO OBRIGADO PAPA FRANCISCO

Pe. João Bortoloci Filho


MARIA, BATO À SUA PORTA

ORAÇÃO  DO PAPA FRANCISCO À NOSSA SENHORA APARECIDA


"Mãe Aparecida, como Vós um dia,
assim me sinto hoje diante
do vosso e meu Deus,
que nos propõe para a vida uma missão
cujos contornos e limites desconhecemos,
cujas exigências apenas vislumbramos.
Mas, em vossa fé de que
"para Deus nada é impossível",
Vós, ó Mãe, não hesitastes,
e eu não posso hesitar.

Assim, ó Mãe, como Vós,
eu abraço minha missão.
Em vossas mãos coloco minha vida
e vamos Vós-Mãe e Eu-Filho
caminhar juntos, crer juntos, lutar juntos,
vencer juntos como sempre juntos
caminhastes vosso Filho e Vós.

Mãe Aparecida,
um dia levastes vosso Filho
ao templo para O consagrar ao Pai,
para que fosse inteira disponibilidade
para a missão.
Levai-me hoje ao mesmo Pai,
consagrai-me a Ele com tudo
o que sou e com tudo o que tenho.

Mãe Aparecida,
ponho em vossas mãos,
e levai até o Pai a nossa e a vossa juventude,
a Jornada Mundial da Juventude:
quanta força, quanta vida,
quanto dinamismo brotando e explodindo
e que pode estar a serviço da vida,
da humanidade.

Finalmente, ó Mãe, vos pedimos:
permanecei aqui,
sempre acolhendo vossos filhos
e filhas peregrinos,
mas também ide conosco,
estai sempre ao nosso lado
e acompanhai na missão
a grande família dos devotos,
principalmente quando
a cruz mais nos pesar,
sustentai nossa esperança e nossa fé".