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2/26/2013

BENTO XVI, BISPO EMÉRITO !




 Nosso amado Papa Bento XVI renunciou; agora, é Bispo emérito de Roma ! Após seu histórico gesto de renúncia, marcado por grandeza de alma, humildade, fé,esperança e imenso amor à Igreja, choveram indagações, especulações, do que estaria por trás da atitude do Papa ao renunciar. Não faltaram inclusive, calúnias, intrigas, de tradicionais inimigos da Igreja. Ao anunciar sua renuncia,o Papa foi claro  e preciso,dizendo: “Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino”.
Ao contrário de muita gente, não me surpreendí,como bispo emérito que sou, com a atitude de Bento XVI, pois há 50 anos atrás, o decreto  Christus Dominus, do Vaticano II, promulgado no dia 28 de outubro de l965, pedia, “ com empenho,aos bispos apresentassem sua renúncia à Autoridade competente em caso de idade avançada” (C.D.21). O Papa Paulo VI, no “motu próprio” denominado “ Ecclesiae Sanctae, regulamentou esta recomendação do Concílio fixando a idade de 75 anos para a renúncia dos Bispos. Esta matéria está claramente legislada no cânon 401 do Código de Direito Canônico, sendo que, no cânon 332, se prevê também a possibilidade de renúncia do Papa. O Papa, Bispo de Roma, não foi porém incluído na fixação dos 75 anos para a renúncia. Os  Cardeais o foram, conservando-se contudo aptos para participar do  conclave eletivo do Papa até os 80 anos de idade, motivo pelo qual Dom Cláudio Hummes e Dom Geraldo M. Agnelo, Bispos eméritos, com menos de 80 anos participam da eleição do Papa. As razões alegadas por Bento XVI para sua renúncia são claramente as indicadas pelo Concílio há 50 anos atrás!
A Igreja, Mãe e Mestra, na longa história do papado, reconhece que somente Celestino V renunciou. Ele era monge e ficou no governo da Igreja somente cinco meses, renunciando já bastante idoso,no ano l294, por se sentir incapaz para o cargo. Dante Alighieri o colocou no inferno pela renuncia e a Igreja o declarou santo!
Acredito que a generosa, profética, atitude do Papa Bento, agora bispo emérito de Roma, aprofundará o estudo sobre as questões práticas que envolvem os  EMÉRITOS, abrangendo todos os ministros ordenados, do Papa ao Diácono. A Conferência dos Bispos do Brasil já avançou muito no campo dos Bispos eméritos, tendo inclusive, constituído no dia 19 de outubro de 2012 uma Comissão Especial para os Bispos Eméritos. O Papa Bento, em seu ato oficial de renúncia, afirma  que “ no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grave relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que nos últimos meses, diminuiu em mim...”
Firmada em Jesus Mestre, Caminho, Verdade, Vida, iluminada pelo Espírito Santo, a Igreja não  deve ter medo de lançar redes em mares mais profundos, de efetuar reformas que vão, desde o veemente apelo à conversão pessoal, à santidade de vida, às mais urgentes mudanças em muitas de suas estruturas em todos os níveis. O Santo Padre  João Paulo II, em se tratando  de questões ecumênicas,na encíclica “ Ut unum sint”, convidava responsáveis eclesiais e teólogos de nossas Igrejas a amplo diálogo com o objetivo de “ encontrar uma forma de exercício do primado que,mesmo sem renunciar de modo algum ao essencial de sua missão, se abra a uma situação nova”.
Bendito seja o Papa Bento, Bispo emérito de Roma, por sua atitude profética! Que, em seu amor profundo à Igreja, à humanidade toda, reze de maneira especial por nós, conservando-nos em seu coração, pois em nossos corações, ele tem permanente morada e imensa gratidão!
       
           Dom Angélico Sândalo Bernardino
            Bispo emérito de Blumenau (SC).

2/13/2013

PORQUE O ANO DA FÉ?


São muitas as razões que motivaram o Papa Bento XVI promulgar o Ano da Fé. Nosso Papa tem uma visão global da realidade da Igreja, no mundo, desde o Concílio Vaticano II até nossos dias. Seus trabalhos no coração da Santa Sé, sua experiência e colaboração no pontificado do Beato João Paulo II, suas viagens e encontros com as Conferencias Episcopais nos diversos Continentes, os encontros sinodais, as visitas dos Bispos do mundo inteiro a Roma, proporcionaram-lhe um real e vasto conhecimento da realidade da Igreja.

Vamos aqui focalizar algumas razões para a promoção do Ano da Fé, nos escritos e ensinamentos do Papa Bento.


    1.     A desertificação. Há um deserto interno e externo que assola a humanidade e a Igreja. O deserto interno se concretiza pela negação de Deus, pelo indiferentismo, pela secularização, pelo individualismo. Confusão doutrinal, ignorância religiosa, afastamento dos fiéis da Igreja, a “ditadura do relativismo” são expressões da desertificação interior. O Papa nos convida a uma peregrinação nestes desertos para transforma-los em jardins e oásis. Eis a necessidade da fé. Os desertos exteriores são as desigualdades sociais, a violência, as migrações, a depredação da natureza, entre outros.


    2.     A descristianização. Nossa sociedade e cultura não são mais religiosas, mas, secularizadas e indiferentes à dimensão religiosa. Vivemos numa realidade  pluralista, tecnológica, antropocêntrica onde os valores religiosos contam muito pouco. Por outro lado, esta mesma sociedade é altamente destrutiva desde a cultura da morte até à desestruturação da família, o avanço do câncer, a corrupção generalizada, fome no mundo, o flagelo das drogas. É deestas e outras perguntas de homem moderno.


3.     A mundanização dos ambientes cristãos. O consumismo, a vida urbana, o poder da mídia invadem os espaços e os corações dos cristãos e assim caímos na “mundanização da Igreja”, diz o Papa. No sínodo sobre a nova evangelização vários padres sinodais alertaram para a necessidade da purificação, conversão, santificação dos bispos, sacerdotes, religiosos(as), seminaristas. Há como que um “envenenamento do pensamento” afirma Bento XVI. É preciso redescobrir a fé no âmbito interno da Igreja.

4.     A superação da pastoral da conservação e da manutenção, é outra razão para o Ano da Fé. Precisamos passar da sacramentalização, para uma consciência da missão, para uma pastoral missionária que venha desinstalar os católicos do comodismo, da mesmice, do cansaço, da rotina. É hora de implantar um catolicismo bíblico, uma opção fundamental pela Palavra de Deus, uma catequese de iniciação cristã, uma pedagogia das pequenas comunidades e a prática da visitação permanente. Todas estas urgências pastorais encontram inspiração, força, dinamismo a partir da fé. “Se não crerdes, não podereis subsistir” (Is. 7,9).

   5. A desumanização. Crescemos economicamente e teologicamente, mas, involuimos ética e espiritualmente. Eutanásia, aborto, assaltos, mortes no trânsito, maus tratos e crianças, idosos, mulheres, assassinato de jovens, discriminação e exclusão de índios, negros e pobres, caracterizam a desumanização atual.

O Ano da fé quer ser uma resposta, uma luz e bússola para estes e outros problemas e crises da Igreja e da sociedade. A fé abre novos horizontes, aponta caminhos, oferece soluções para as pessoas, as comunidades e a sociedade.

Dom Orlando Brandes