Páginas

Mostrando postagens com marcador S. GUIDO MARIA CONFORTI. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador S. GUIDO MARIA CONFORTI. Mostrar todas as postagens

4/26/2012

O CRUCIFIXO DA ESPERANÇA

Por Pe. Alfiero Ceresoli, sx

Há muitos modos de se olhar para o crucifixo. Os próprios evangelistas abriram caminho às várias interpretações. Na cruz, Marcos percebe o abandonado por todos: “abandonando-o, todos fugiram”. Até mesmo o Pai parece ter abandonado aquele filho amado, e lhe arranca a pergunta: “Pai, por que me abandonaste?”.

Mateus descobre na dramática história do Mestre de Nazaré, a realização das Sagradas Escrituras; Lucas contempla o mártir que morre perdoando. Certamente todos vêem as feridas, o sangue, a humilhação, a imensa dor, mas a atenção se desvia para outros lugares. João ouve os insultos, o suplicio dos pregos que lhe fere a alma – lembrará aquela tortura no dia da ressurreição – mas prefere contemplar o Rei vitorioso, que dá sua vida e reúne sua Comunidade com a manifestação do Espírito.

E assim, ao longo dos séculos: o Crucificado, sacerdote e o Crucificado ensangüentado coberto de chagas, o Crucificado sereno e sorridente, e o Crucificado cheio de dores e quase desesperado.
O Aleijadinho, escultor barroco do século XVII, via no Cristo sofredor o semblante dos escravos enforcados e todos os seus crucificados apontam um hematoma no pescoço, sinal da corda do enforcamento.

O missionário na escola do Beato Guido Conforti, fundador dos xaverianos, contempla Cristo na cruz com o olhar de quem foi enviado para anunciar a vida, aquela vida que nasce exatamente onde a morte triunfa. Parece dominar a morte!

O missionário detendo-se todo dia ao pé do crucifixo, ouve o perdão e a misericórdia, palavras de justiça e de paz; vê apagada toda violência e percebe a ansiedade de reunir a humanidade em uma só família de irmãos e irmãs; descobre a esperança de um mundo novo; admira a explosão do amor para todos e para sempre. Contempla a beleza do Dom da Vida, a maravilha da loucura que é a sabedoria e a força de Deus, a promessa vencedora da cruz. Sem qualquer medo, pode exaltá-la entre todos os povos não para obter inúteis e vãos triunfos, mas para apresentar uma lógica diferente: um Deus diferente. Conclui o Beato Guido:

“Para esse missionário que parte para terras longínquas para anunciar a boa nova, não se fornece qualquer outra arma a não ser aquela do crucificado porque essa possui o poder de Deus e por ela ele irá triunfar acima de tudo e de todos depois de ter triunfado sobre si mesmo”.

4/19/2012

DUAS VIDAS, UMA MISSÃO

Por Pe. Alfiero Ceresoli


Tudo ficou esclarecido com um presente: um livro! De fato, o encontro misterioso precisava de esclarecimentos. O encontro tinha acontecido na “Igreja da paz”, mas não deixou nada em paz.
Guido Maria Conforti (1865-1931), um jovem seminarista da diocese de Parma, na Itália, costumava rezar numa igrejinha construída bem na beira da estrada que levava à escola. No altar, tinha um grande Crucifixo. O jovem olhava, olhava, olhava arrebatado. O Crucificado, no silêncio da capela falava ao coração: “Assim se ama!”. Como retribuir a este amor? Dar tudo, entregar-se inteira e totalmente ... Como pode acontecer isso? O livro sobre a vida de São Francisco Xavier chegou nas mãos do jovem Guido como uma resposta esclarecedora que o levou a uma decisão: “sacrificarei totalmente a mim mesmo, meus bens e tudo quanto estiver ao meu alcance para realizar o ideal de anunciar o evangelho a todos os povos” .
Cruzaram-se desta forma duas vidas, duas aventuras missionárias, duas testemunhas numa mesma espiritualidade missionária.
Não existe fotocópia na história. Entre Francisco e Guido cabe um espaço de três séculos. Viveram em culturas diferentes, em conjunturas históricas, experiências de vida e com visões de mundo profundamente distintas.
Xavier viveu no XVI e Conforti no século XIX. O primeiro passou sua vida apostólica em viagens por terra e por mar, da Europa à Índia, até o Japão. O segundo mal saiu, uma vez ou outra, de sua cidade. No entanto, encontramos na origem das duas aventuras espirituais e missionárias as mesmas forças motivadoras, o mesmo ponto de partida: a contemplação do amor do Pai, manifestado, quase “detonado”, no Filho Jesus crucificado.
O castelo de Xavier tem estrutura de um caracol e o menino Francisco não podia chegar ao centro do castelo, sua habitação, sem passar pela capela onde era guardado um grande Crucifixo. Guido não podia chegar à escola sem passar por uma igrejinha onde era cultuado o Crucifixo que o arrebatou.
As mães tinham orientado os filhos a não fixar o olhar sobre as feridas, os pregos, o sangue, mas a refletir sobre o amor que aquele Filho do Homem tinha manifestado para com a humanidade. O amor do Pai, no Filho pela ação do Espírito, ficará sempre a origem, a força, o dinamismo e o objetivo final da incansável ação missionária de Francisco e de Guido.
Quando adultos, encontrarão na Palavra de Deus a verbalização dessa experiência: “A caridade de Cristo nos impulsiona, nos constrange, nos obriga ... Ai de mim se não evangelizar ... Nenhuma criatura será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Jesus Cristo nosso Senhor”.
A missão nasce de uma experiência de amor, uma experiência tão íntima e forte que a pessoa é arrebatada, de maneira que, com liberdade e alegria, se entrega plena e totalmente ao Pai para anunciar o Evangelho. A pessoa vive uma grande paixão por ser amada por Deus, feita louca por amor “ao pensarmos que se um só morreu por todos, e consequentemente todos morreram. E morreu por todos para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Cor 5,14-15). Entrega-se até à morte: “todos morreram”! Nas cartas de Francisco Xavier uma frase torna-se um estribilho: “Estamos aqui por amor!”
“Ele morreu por todos”, pois toda pessoa foi criada a imagem e semelhança de Deus. Encontramos aqui a segunda grande força contemplativa e dinâmica da missão na vida de Francisco Xavier e Guido Maria Conforti. Contemplativa, pois é preciso ter o olhar penetrante e profético para enxergar além do visível o rosto de Deus no rosto de toda mulher e homem da terra.
Francisco em sua viagem para o Japão presencia aos rituais religiosos dos marinheiros em momentos de tempestade ou em momentos de calmaria. A sorte determinava os planos da viagem. Francisco reza por eles, pois “estes também os criastes a Vossa imagem e semelhança” . Afinal, tinha decidido viajar até o Japão porque lá havia “muitas imagens e semelhanças de Deus” . Esta é a razão de sua “loucura”: assim julgavam alguns confrades seus.
Encontramos, nas 137 cartas de Francisco, assim como nos escritos de Dom Guido, duas características fundamentais da espiritualidade missionária: a missão-garimpo e a missão-restituição. O missionário, antes de mais nada, vai à descoberta dos tesouros que já existem nos povos e nas pessoas. Estão lá, escondidos como as pepitas de ouro na terra ou na água. O missionário é como um garimpeiro à procura do “ouro” no meio de toda humanidade. Uma vez encontrado, o faz brilhar com a luz de Jesus Cristo.
Logo em seguida, inicia o processo de restituição: missão é dar a Deus o que é de Deus. O missionário contempla a imagem do Criador nas feições de toda pessoa humana, assim como os fariseus precisaram admitir que na moeda havia a imagem de César (cf. Mt 22,15-22). Dar a Deus o que é de Deus, pois sua imagem e inscrição estão gravadas no rosto e no coração de toda mulher e de todo homem.
O missionário não pode não ser um contemplativo. Contemplativo do amor de Deus revelado a ele e revelado a todos; contemplativo do rosto do seu Senhor em toda pessoa humana.

A fisionomia do mesmo Pai leva a uma terceira grande força dinâmica da missão: a fraternidade universal. Missão é anunciar a existência de um Pai de todos e convidar a reconhecer o Outro como irmão. Ninguém é órfão: todos somos irmãos e irmãs.
Interessante notar que esta contemplação levava Xavier e Conforti a fazer uma leitura positiva da situação histórica em que viviam. Para Francisco a descoberta de novas terras e de povos até então desconhecidos pelo Ocidente, assim como para Guido o desenvolvimento da tecnologia e dos meios de comunicação (trêns, carros, navios), despertavam o entusiasmo para uma nova oportunidade que Deus oferecia à humanidade de se encontrar, de se unir e de transformar as relações de competição em relações de solidariedade: a chance de construir finalmente um mundo fraterno.
Afinal, esse é o “vinho” que falta à humanidade, diz Conforti comentando as bodas de Caná: justiça, verdade, paz, amor .
Para Xavier as novas rotas marinhas, para Guido os meios mais rápidos de comunicação ... As situações diferenciam-se, a história muda, o sonho é o mesmo: fazer do mundo uma só família respeitando índole, cultura, língua de cada povo e pessoa, mas convivendo na justiça e na paz.
Será que o processo de mundialização no qual vivemos hoje, não é mais uma chance que o Pai nos oferece para reavivar o sonho da fraternidade universal?
Dessa tríplice contemplação – o Crucifixo, as feições de Deus nas pessoas, a fraternidade – brota uma atividade incansável, um engajamento em todas as iniciativas que possam levar pessoas e sociedades a uma convivência feliz.
A felicidade, aliás, marca toda a atividade missionária assim como as ações de graças pela maravilhas que o missionário vê acontecer em sua peregrinação entre os povos. Cantando os louvores do Senhor, confiando nele e só nele, continua sua caminhada mesmo entre dificuldades e sofrimentos. Até a perspectiva do martírio não apaga sua alegria e sua esperança de um mundo melhor: uma esperança inabalável de uma terra sem males.

4/12/2012

O AMOR QUE NOS IMPULSIONA

Por Pe. Alfiero Ceresoli


O amor de Cristo nos impulsiona! Contemplando Aquele que nos amou até o fim, Paulo descobre o infinito amor do Pai. A missão nasceu dentro dele, como resposta ao amor sem medida de Deus. A consagração do Bem-aventurado Conforti nasce da contemplação do Cristo crucificado. A experiência desse amor gratuito de Deus é tão forte que a pessoa sente que deve responder com dedicação incondicional de sua vida.

“Eu olhava a ele e ele me olhava e parecia me falasse muitas coisas”. Com esta recordação o bispo dom Guido Maria Conforti, fundador dos Missionários Xaverianos, confidenciava aos amigos mais íntimos a origem de sua vocação missionária. Ainda era adolescente quando a caminho da escola parava numa igreja e ficava olhando um grande crucifixo. Olhos fascinados nos olhos semi-abertos de Cristo; ouvidos atentos às mensagens mudas, mas eloqüentes, saindo daquela imagem, coração aberto a acolher o chamado para um serviço na Igreja e ao mundo.

Jesus, e Jesus crucificado, é o terreno mais fecundo, a raiz mais profunda, o alicerce mais seguro da missão: é a experiência de Paulo. Na estrada de Damasco a voz misteriosa se apresentou como a de alguém que é perseguido: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” O Crucifixo é o “lugar” onde se alimenta e recebe força a vocação missionária de Paulo. Entre os textos em que Paulo se auto-apresenta como chamado a ser apóstolo desvelando a profundidade de sua experiência mística e apostólica, sobressai sem dúvida (2Cor 5,14-17):

“O amor de Cristo é que nos impulsiona, quando consideramos que um só morreu por todos, e conseqüentemente todos morreram. Ora, Cristo morreu por todos, e assim aqueles que vivem, não vivem para si, mas para aquele que por ele morreu e ressuscitou. De modo que nós, daqui para frente, a ninguém consideramos com critérios humanos; e se outrora consideramos Cristo com critérios humanos, agora já não o fazemos. Se alguém é cristão é criatura nova. O que era antigo passou, chegou o novo”.

Crucifixo, amor que perdoa – Paulo sentiu ser envolvido nesse amor desde o dia em que perto de Damasco foi lançado por terra. Talvez naquela queda não houvesse uma conversão, Paulo continuou sendo o teimoso e apaixonado procurador de Deus e de sua salvação. Na cegueira procurada pela luz fulgurante de Deus enxerga a verdade: a lei e sua observância não liberta, alias escraviza mais e mais. Naquele encontro misterioso percebeu que Deus é amor, é perdão, é Pai. Sem dúvida nas aulas de Gamaliel deve ter decorado o texto da passagem de Javé pelas costas de Moises. “Javé passou diante de Moisés, proclamando: Javé, Javé! Deus de compaixão e piedade, lento para a cólera e cheio de amor e fidelidade”. Caído por terra, Saulo começava a conhecer Deus na pessoa e na história humana de Jesus Cristo. Conhecê-lo não pelas aulas eruditas dos doutores da lei (pelas costas), mas nos gestos de amor do Filho, “nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os súditos da lei, e nós recebêssemos a condição de filhos” (Gl 4,4). Resgatados, assim como o próprio Saulo estava sedo resgatado nessa improvisa e inesperada irrupção de Deus e de seu perdão em sua própria vida. “Deus demonstrou seu amor no fato de que, sendo ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5,8).

Paulo não tem medo a se definir, como os outros, merecedor da ira de Deus, “mas Deus que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos a vida juntamente com Cristo” (Ef 2,4). Os seus pecados são perdoados e a sua dívida pregada na cruz. “Cancelou o documento de nossa dívida com suas cláusulas contra nós e o anulou pregando-o consigo na cruz” (Cl 14). É possível deixar de anunciar tamanha misericórdia?

Crucifixo, lugar de encontro da fraternidade universal – Depois de ter encontrado Jesus, o único que morreu por todos, Paulo percebe que os critérios humanos não podem mais ser utilizados nas relações entre as pessoas. É um paradoxo evangélico: os critérios humanos não bastam nas relações humanas! “Se alguém é cristão é criatura nova. O que era antigo passou, chegou o novo”. O Homem da cruz reuniu os filhos dispersos, elevado entre céu e terra e vai atraindo todos em volta desse trono e altar (cf. Ef 2,13-16).

Com a imersão batismal, mergulhados na morte e ressurreição de Cristo, nasce o homem novo, o filho de Deus, o divino que não mortifica o humano, mas o valoriza e sublima. A partir do amor com que Cristo nos amou, todos somos unidos por um laço de irmandade. O apóstolo percebe – contemplando o Crucificado – ser chamado a realizar o sonho de Deus Pai, o ponto mais alto e definitivo da história humana. Ele recebeu o papel e o ministério de anunciar a reconciliação. O missionário colabora na realização deste sonho: reunir em volta da cruz todos os povos, como profetizou, mesmo sem querer, Caifás (Jo 11,49ss).

Paulo, á luz da cruz, vê e encontra só filhos no Filho, irmãos: “Pela fé em Cristo Jesus, sois todos filhos de Deus. Vós que fostes batizados, consagrando-vos a Cristo, vos revestistes de Cristo. Já não se distinguem judeu e grego, escravo e livre, homem e mulher, pois com Cristo Jesus sois um só” (Gl 3,26-28). O cristão está devendo a todos este Evangelho! Paulo escreve à comunidade de Roma, que ele sequer conhecia: “Sinto-me devedor de gregos e bárbaros, de sábios e ignorantes; nesse modo, naquilo que depende de mim, estou pronto para anunciar o Evangelho também para vocês que estão em Roma” (Rm 1,14).

Crucifixo, revelador do mistério escondido – Deus, Pai de todo homem e toda mulher da terra, tem um grande sonho: reunir todos em sua casa, irmãos em Cristo Jesus seu filho primogênito. Mistério – nos diz Paulo – guardado em sigilo pelos séculos e agora revelado: “Essa é a revelação de um mistério que estava envolvido no silêncio desde os tempos eternos” (Rm 16,25). Deus “nos fez conhecer o mistério de sua vontade, segundo o desígnio benevolente que formou desde sempre em Cristo, para realizá-lo na plenitude dos tempos: reunir em unidade tudo em Cristo, tudo o que existe no céu e na terra” (Ef 1,9-10).

O caminho da missão

Deus é amor trinitário que se abre além de si para fazer o universo inteiro participar de seu amor e sua felicidade. Paulo sente ser atraído, envolvido neste redemoinho de amor e, imitando Deus e o Cristo pela força do Espírito, lança-se ao apostolado. O amor de Cristo é que impulsiona! O amor de Jesus para conosco é chama que nos aquece e se torna por sua vez chama de amor para Ele e para os nossos irmãos. Pelo amor a Cristo, Paulo não pode mais parar: três viagens entre tribunais, prisões, chicoteadas, conflitos e expulsões. Terra, mar, rios e montes... A caridade de Cristo o aperta, o torna ansioso e inquieto, o amor não descansa. A entrada dos pagãos cria problemas. O amor não desanima, viaja até Jerusalém para resolvê-los. Por fim é levado ao tribunal em Jerusalém e de Jerusalém, tendo apelado a César, vai acorrentado até Roma: “a palavra de Deus não está algemada” (2Tm 2,9).


Talvez, na segunda viagem Paulo aprende por experiência própria a confiar na cruz de Cristo. O fracasso do discurso erudito cheio de artimanhas oratórias de Atenas e Corinto o leva a escrever: “Irmãos, eu mesmo quando fui ao encontro de vocês, não me apresentei com o prestígio da oratória ou da sabedoria, para anunciar-lhe o mistério de Deus. Entre vocês eu não quis saber outra coisa a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado (...) Minhas palavras e minha pregação não são artifícios para seduzir os ouvintes, mas a demonstração residia no poder do Espírito, para que vocês acreditassem não por causa da sabedoria dos homens, mas por causa do poder de Deus” (1Cor 2,1-5).

O amor gloriosamente manifestado na cruz determina também o definitivo método missionário. Dom Guido adverte seus missionários: “Vocês não podem utilizar ferramenta diferente daquela utilizada por Cristo: a fraqueza da palavra, o fascínio do amor, a humildade, o sacrifício até o dom total de si mesmo... Por isso, ao Missionário que parte por longínquas terras a fim de anunciar a Boa Nova, não é fornecida outra arma a não ser o Crucifixo, porque esta possui o poder de Deus e por ela ele triunfará de tudo e de todos, depois de ter triunfado de si mesmo”.

Trilhando os caminhos de Paulo, o missionário experimenta o amor do Pai, sendo pelo amor impelido a se oferecer, como Cristo se ofereceu, a se tornar “tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo. Tudo isso eu faço por causa do Evangelho, para me tornar participante dele” (1Cor 9,22-23).


1/20/2012

LADAINHA DE SÃO GUIDO MARIA CONFORTI

Fundador dos Missionários Xaverianos

01-  São Guido, chamado por Deus, desde a infância               

Todos: Guiai-nos e protegei-nos

02-  São Guido, devoto e seguidor do crucifixo

03-  São Guido, provado pela cruz das doenças

04-  São Guido, devoto de São Francisco Xavier

05-  São Guido, Sacerdote e Bispo Missionário

06-  São Guido, servo fiel e obediente à Divina Providência

07-  São Guido, arauto do Evangelho nas famílias

08-  São Guido, testemunha do amor pela Eucaristia, força da missão

09-  São Guido, animador da devoção ao Santo Rosário

10-  São Guido, Fundador da União Missionária do Clero

11-  São Guido, ardoroso promotor da Missão Além-Fronteiras

12-  São Guido, animador da catequese bíblica

13-  São Guido, exemplo de bondade, ternura e alegria

14-  São Guido, lutador contra os males da guerra e do modernismo

15-  São Guido, profeta da missão no mundo moderno

16-  São Guido, Fundador dos Missionários Xaverianos


      17-  São Guido, propagador da missão na China e no mundo inteiro

      18-  São Guido, incansável peregrino nas visitas pastorais

      19-  São Guido, inspirador de um novo mundo como grande família

      20-  São Guido, homem de Deus e do amor ao martírio

      21-  São Guido, patrocinador da missão local e mundial.

Dom Orlando Brandes

12/14/2011

NATAL E SÃO GUIDO MARIA CONFORT

ANÚNCIO DA BOA NOTÍCIA
“NASCEU-VOS, HOJE,  O SALVADOR”!

Neste ano em que, nós missionários xaverianos, comemoramos a canonização do nosso fundador São Guido Maria Conforti, queremos vivenciar este natal com mais ardor missionário e, com as palavras de São Guido Maria Conforti desejar à você e sua família um natal de muita fé,  paz e esperança e um novo ano pleno de vida e santidade.

“Entremos, pois, em espírito de fé na gruta de Belém, como, chamados pelos Anjos, entraram os pastores que cuidavam dos rebanhos nos campos ali por perto, e com eles prostremos-nos junto àquele berço, onde está o grande Rei do universo”.

“Um Menino está de fato deitado numa manjedoura, uma Virgem o deu à luz, ele é o Deus do amor, descido do Céu assumindo a nossa humanidade. Por isso, todos os povos da terra, iluminados pelo vivo raio da fé, neste alegre dia exultam, com uma alegria toda especial, inefável, porque não é terrena, mas celeste. De fato, como diz Leão Magno, a tristeza não convém, quando nasce a vida. Para todos há motivos de alegria: para o Santo, que vê se aproximar o prêmio, para o pecador, a quem é oferecido o perdão, para o pagão, para o gentio, que é chamado à luz e à vida de Cristo”!

         “Naquela noite os desventurados ganharam um irmão, os escravos, um libertador, os meninos, um amigo, os sábios, um mestre, os reis, um modelo, a própria morte, um vencedor. Nações do mundo inteiro, alegrem-se no Senhor, assim como a terra se alegra, todas as manhãs, quando surge o sol para livrá-la das trevas”.

         “O Natal é a grande aurora de nossa libertação; Jesus Cristo, que nasce, é o sol de justiça que surge no mundo para dele afastar as sombras da morte. Eu não sei, pois, senão repetir estas palavras: Gaudium magnum evangelizo vobis – vos anuncio um grande, alegre evento”!

Desejo à você e sua família um natal de muita fé,  paz e esperança e um novo ano pleno de vida e santidade.

São os votos de Pe. João e da comunidade do Noviciado  Xaveriano

SEJA MISSIONÁRIO TAMBÉM!

       BISPO DE PARMA MISSIONÁRIO DO MUNDO!


 Os dons que Deus faz a uma pessoa são para o bem de todos. A canonização de Dom Guido Maria Conforti é algo que enriquece não somente a familia xaveriana mas também a Igreja e o mundo. Ele foi um grande missionário mas ‘fora do comum’, pois não partiu para as missões, viveu sempre no seu pais de origem, a Italia.


Ainda jovem, durante os anos do seminário, tinha lido uma biografia do grande Francisco Xavier que, na época de 1500, tinha ido ao continente da Ásia para evangelizar os povos da Índia, da Indonésia, da Malásia, do Japão. Francisco morreu às portas da China, na tentativa de levar o evangelho ao ‘Gigante da Ásia’. Quase quatro séculos depois, em Parma, o jovem seminarista Guido Conforti quis continuar o projeto interrompido de Francisco: ser missionário na China. Guido escreve umas cartas à várias congregações religiosas da Itália, manifestando a sua disponibilidade de ir às missões, mas não obteve resposta.

Como se não bastasse, surgiu outra grande dificuldade: a saúde dele muito fraca, uma misteriosa doença que o acompanhou por vários anos, até pouco antes da ordenação sacerdotal. Guido nao desanimou frente a estas dificuldades que pareciam barrar os seus sonhos . Aliás, ele soube passar de um projeto exclusivamente ‘seu’ pessoal, bonito mas limitado, a um projeto maior, de todos, da Igreja. Nisso está um dos sinais de santidade. Apesar que as coisas nao acontecessem como ele queria, soube igualmente confiar em Deus e deixar que somente Deus “dançasse” os passos de sua vida.

Guido não foi missionário pessoalmente, mas contagiou outras pessoas ao seu ideal, formando uma familia de missionarios. Dom Guido nao foi um ‘adventureiro heróico’, não enfrentou viagens perigosas, não foi um martir, não fez nada ‘fora do comum’.


Para ser missionário, de fato, não precisa necessariamente partir, devorar quilometros e realizar grandes obras, basta somente, após encontrar o Ressuscitado, querer anunciá-lo aos outros, como fizeram os dois de Emaús. O discipulo torna-se necessariamente missionário. Dom Guido fez esta experiência quando, ainda menino, em Parma, indo para a escola, dentro de uma igreja, contemplava um crucifixo que, com os seus braços abertos, indicava a universalidade da missão.
 
Hoje em dia muitas pessoas vão a igreja para receber favores ou pedir alguma coisa. Contemplando diariamente aquele crucifixo, Guido percebeu que ele devia não receber e sim oferecer a própria vida. Aquele crucifixo que abraçava todos os povos da terra precisava dele para realizar um projeto: fazer do mundo uma só família que abraçasse a humanidade. 

 Guido ingressara’ no seminário de Parma pouco tempo depois. Desde os anos de sua juventude, os altos muros do seminário não lhe impediam, antes estimulavam seus sonhos de evangelizar a China.  Anos depois, como sabemos, será bispo incansável, servindo o seu povo sem poupar esforços e enfrentando grandes sacrifícios. Ainda assim, Guido não somente não se fecha na própria diocese, mas sente também a força e a urgência da missao ‘alem-fronteiras’, por isso decide formar uma família missionaria. 

Tinha somente 23 anos quando começou a pensar neste ousado e dificil projeto. Nao se intimidou diante das dificuldades. Na qualidade de bispo, foi animador missionário da Igreja italiana e fez questão que os cristãos da Itália se preocupassem, eles tambem, pela missão além-fronteira e não somente pelo próprio país.

Dom Guido foi, ao mesmo tempo, bispo de Parma, mas missionário para o mundo, pastor do unico rebanho, que incluía a diocese de Parma e também a imensa missão da China, que Roma confiara aos xaverianos, onde seus filhos estavam evangelizando. Ele mesmo deu o exemplo: se abriu aos imensos horizontes do mundo, acompanhou, sustentou e visitou pessoalmente os seus na China, pouco antes de morrer. 

Mesmo precisando de padres para a sua diocese (pouquíssimos frente à enorme necessidade de tantas paróquias) envia à China vários missionários, convencido que quem doa com generosidade recebe muito mais, pois (como afirma a conferencia de Aparecida) a missão evangelizará também as nossas igrejas e comunidades com as riquezas partilhadas de outros continentes.



Diz ainda o Documento de  Aparecida que a missão Ad Gentes (aos povos nao-cristãos, fora do Brasil) não é uma generosidade da Igreja na América Latina, é um dever que se converterá em riqueza para o mesmo continente.

Conforti tinha entendido, jà naquela época, que ‘devemos dar de nossa pobreza’ e que não podemos dar somente aquilo que sobra, muito pelo contrário, devemos doar à missao as melhores forças, pessoas, meios.. Neste sentido Conforti foi um bispo contra-corrente dentro da Igreja italiana daquela época. Ele polemizava com aqueles que o acusavam de estar ‘desviando forças e pessoas  das dioceses em vista da missão.

Ele foi um bispo extremamente comprometido como pastor. Amava tanto a atividade pastoral que procurava estar sempre no meio do seu povo e dos seus padres, confessando, escutando, pregando em público a Palavra de Deus. Visitava pessoalmente os doentes e os presos. Um dia, após uma grande fadiga (tinha acabado de visitar uma paróquia sobre os montes) disse ao seu secretário: “Pe. Dino, durante a visita pastoral me parece de ser como na missao: como volto de mau gosto para casa!”. Dom Guido soube operar uma síntese maravilhosa entre vida ativa e contemplativa, e isso lhe permitiu ser um autêntico pastor segundo o coração de Cristo. Nunca abandonou, ao longo de toda a sua vida, o encontro com aquele Crucifixo que parecia dizer-lhe muitas coisas.. 

Guido foi Pastor de dois rebanhos.. mas isso vale também para todo batizado! O primeiro rebanho são as pessoas que lhe são confiadas, na familia, na comunidade, no trabalho. Entre nós há tanta gente afastada da Igreja e ‘distante’... tantos empobrecidos e marginalizados...


Mas existe um segundo rebanho: o mundo. O discípulo é responsável por toda a humanidade, por aqueles que ainda (a grande maioria), na terra, ignoram o amor do Pai e a fraternidade do Reino. Não podemos ficar indiferentes.
 Dom Guido pensava que todo cristão deve, de certa forma, se sentir responsável também das Missões entre os não cristãos, nos 5 continentes da terra. Nisso Ele antecipou (naquela época!) a abertura missionária do Vaticano II e de Aparecida: “Para não cair na armadilha de fechar-se em si mesma, a nossa Igreja Latino-americana deve formar-se como discípula missionária sem-fronteira, disposta a ir ‘a outra margem’, onde Cristo ainda não é reconhecido como Deus e Senhor”.


 São Guido Conforti torna-nos discípulos missionários alegres e convencidos do Evangelho. Suscita numerosas e autenticas vocações missionárias entre os jovens. Ajuda as nossas comunidades e grupos a se abrirem mais ao mundo e a cada irmão e irmã. O teu exemplo de Bispo Missionario nos contagie para que a Missão universal nos envolva todos, em tudo e para sempre. Torna-nos, como tu, missionários/as do mundo!


10/23/2011

RECOMENDAÇÕES À CONGREGAÇÃO E ÀS COMUNIDADES CRISTÃS NESTE MOMENTO DE GRAÇA DA CANONIZAÇÃO DE SÃO GUIDO MARIA CONFORTI


Um Novo Pentecostes urgente

Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança. Por isso é imperioso assegurar calorosos espaços de oração comunitária que alimentem o fogo de um ardor incontido e tornem possível um atraente testemunho de unidade ”para que o mundo creia” (Jo 17,21; DAp 362-364)’.

Trata-se de despertar nossas comunidades para:
  • Aproveitar intensamente este tempo de graça para nos reencantar com o nosso carisma e nossa espiritualidade;
  • Implorar e viver um novo Pentecostes em todas as comunidades cristãs, sobretudo em nossas comunidades xaverianas;
  • Despertar a vocação e a ação missionária dos batizados e animar todas as vocações e ministérios que o Espírito dá aos discípulos de Jesus Cristo, na comunhão viva da Igreja;
  • Sair ao encontro das pessoas,  das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! 
  • Reafirmar o nosso Carisma  pois o anúncio do Evangelho aos não cristãos é uma graça, um grande dom de Deus, porque podemos ver, experimentar, de modo evidente e palpável, a força da Palavra de Deus na pessoa  e no  grupo humano. Anunciar  Jesus Cristo trata-se de algo  irrenunciável.
Um Kairós de sonho e esperança

            “Impelidos pelo amor de Cristo”(2Cor.5,14) precisamos viver este momento de graça da canonização do nosso fundador enchendo-o de amor. Precisamos romper em nossas comunidades e em todos os setores de nossa Congregação os nossos “vasos” de acolhimento, de fraternidade, de profecia para que o nosso ambiente seja perfumado de horizontes novos.
            Precisamos pedir ao Espírito Santo para que ilumine nossas mentes, aqueça nossos corações, sustente nossa unidade para que possamos fazer deste tempo um Kairós de sonhos e esperança, de partilha e comunhão, escrevendo a nossa história seguindo os passos de Jesus Cristo na vida da Igreja e do povo, colaborando na construção do Reino de Deus.

Busca de caminhos novos

A canonização do nosso fundador é um tempo de graça que nos convida a refundar a casa da nossa congregação, isto é, ir mais a fundo “nas raízes” da mesma; “é buscar uma nova visão, com fundamentos na tradição, mas com roupas novas e criativas para responder ao novos areópagos missionários. É preciso, sobretudo, novas maneiras de rezar na intimidade com Deus; de celebrar as liturgias comunitárias; de viver a espiritualidade fundacional; de abordar novas estruturas comunitárias que promovam amizade e fraternidade evangélica”.  Refundar é fazer uma nova leitura das coisas essenciais e eliminar a areia (coisas não essenciais e prejudiciais) para reconstruir sobre a rocha, que é Jesus Cristo, missionário do Pai.
Não podemos deixar de aproveitar esta hora da graça. Faço minha as palavras de Dom Helder Câmara : 

“ Graça divina é começar; 
graça maior é persistir na caminhada; 
mas a graça das graças 
é não desistir nunca”.

10/20/2011

VIVER, COMUNITARIAMENTE E PESSOALMENTE, A GRAÇA DA CANONIZAÇÃO

“O Senhor não poderia ter sido melhor para conosco nos diz S. Guido Maria Conforti” (Constituições xaverianas  nº.1). De fato, celebrar a canonização do nosso Fundador Guido Maria Conforti é um tempo de graça que não podemos deixar passar em vão. Por isso, “é preciso não acontecer que, ocupando-nos da santificação dos outros, descuidemos da nossa, o que aconteceria certamente se não alimentamos todos os dias nosso espírito com os poderosos meios de santificação” (Constituições xaverianas  nº.8). 
Façamos nossa as palavras do nosso Padroeiro S. Francisco Xavier: "Considerando a grande graça que o Senhor nos concedeu de enviar-nos a estes lugares, sentimo-nos confusos. Achamos que somos nós que servimos a Ele, porque viemos a estes lugares, enquanto foi Ele que nos fez compreender com extrema claridade o grande dom de sua imensa graça, que nos concedeu trazendo-nos ao Japão, livres de todo apego ao que nos poderia impedir de chegar até Ele".
Como viver, comunitariamente e pessoalmente, a graça da Canonização do nosso Fundador? Creio eu, que o maior desafio é entregar completamente a nossa vida em favor do Reino de Deus e da missão. É saber que “a missão não faz parte da nossa vida; a missão é a nossa vida. Eu não tenho uma missão — a missão é que me tem. Ela se torna sempre mais um desafio e exige uma mística: “mística missionária”. Que mística é essa?
O missionário precisa ser uma pessoa apaixonada por Cristo e pela humanidade. Alguém que sonha com a missão, que se faz discípulo do mestre e se deixa conduzir por ele (Cf DAp 277). Deve ser alguém capaz de fazer a globalização do amor conectando os desconectados, isto é, todos aqueles que estão sem notícias de esperança, sem notícias de amor, sem notícias de Deus.
Celebrar a Canonização é celebrar a nossa capacidade de amar. Como o Pai me ama, assim também Eu vos amei! (João 15,9).  Como o Pai me enviou, assim também Eu vos envio! (João 20,21). Aprendamos com a garra missionária de Santa Terezinha do Menino Jesus: “Quisera percorrer a terra para ser missionária não um só dia, mas até a consumação dos séculos, para tornar Jesus amado por todos ...compreendi que o amor encerra todas as vocações e que o amor é tudo, abraça todos os tempos e todos os lugares”. Aprendamos com S. Francisco Xavier: “Faça-se amar porque só assim conseguirá influir as pessoas. Se você usa a amabilidade e o bom  trato no lidar quotidiano, verá que conseguirá efeitos admiráveis”. Aprendamos com o nosso Fundador: “Precisamos ter uma fé viva que nos leve a ver Deus, amar Deus, procurar Deus em tudo, aguçando em nós o desejo de propagar em toda parte o seu Reino”  (Constituições xaverianas nº.10).

    Celebrar a Canonização é saber captar os sinais, os toques de Deus na história. Qualquer experiência de Deus, em nosso tempo, que ignore a sua revelação cheia de compaixão pelas multidões de excluídos podemos estar certos de que a experiência só tem aparência. A vida se desenvolve plenamente  na comunhão fraterna e justa (Dap 359) Fazer a justiça esperar é uma injustiça. Precisamos promover a Cultura da Solidariedade. Precisamos investir na atitude acolhedora – comunidades sadias, calorosas, fraternas. Não podemos economizar sinais que visibilize isto, pois sem comunhão a congregação, a comunidade e a Igreja morre.
     Celebrar a Canonização significa não colocar barreiras para que a Palavra de Deus exerça o seu poder no interior das pessoas com as quais vivemos. O discípulo de Jesus transmite a Boa Notícia pela sua vida, porque a sua vida aparece como Boa Notícia. É reconhecer que lá  onde fui enviado é um solo sagrado onde quer desabrochar os sonhos fraternos de diálogo, comunhão, de busca comum da verdade, de ecumênica compaixão. “A piedade deve informar toda a vida do missionário e transparecer em todos os seus atos, de maneira que todos, ao observá-lo, possam reconhecer nele o homem de Deus” (RF. 19).

10/15/2011

CANONIZAÇÃO É TEMPO DE SONHAR DE NOVO


“Um dia, o Sol e o Vento discutiram sobre qual deles conseguiria que um caminhante que passava tirasse o sobretudo.
O Vento, porque é muito forte, dizia que bastava-lhe soprar com muita força e o capote desse homem voaria pelos ares.
O Sol, mais astuto, apenas disse:
­ Comecemos a aposta. Entra tu em ação, amigo Vento.
Quanto mais este soprava, mais o homem se agarrava ao sobretudo, protegendo-se do frio Vento.
Chegou a vez do Sol. Este começou a brilhar e a aumentar lentamente o seu calor. O caminhante, atingido pelos ardentes raios do Sol, tirou o sobretudo. O Vento, apesar de tanta força e tanto ruído, deu-se por vencido.

ASPECTOS FUNDAMENTAIS DO FUNDADOR QUE NÃO PODEMOS ESQUECER




A Caminhada começa com um encontro


No Evangelho há uma multidão de pessoas que tiveram o encontro mais importante e decisivo de suas vidas com Jesus que lhes preenchia de luz, força e esperança. O carisma xaveriano nasce a partir de um encontro e de um diálogo profundo:  Eu conversava com Ele… Ele me deu a Vocação. A todos nos toca “recomeçar a partir de Cristo”, reconhecendo que “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva”(Dap 10). Um encontro “que nos leva à  identificação com o amor de Cristo, capaz de preencher toda a nossa vida e de transformar a vida dos nossos destinatários” (RMX 9).


O Carisma como uma ordem do Senhor

    “Seguindo o nosso fundador e revivendo o mesmo carisma, nós xaverianos respondemos à ordem do Senhor: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura”. O testemunho e as palavras de Guido Maria Conforti são fonte particular de inspiração para a nossa vida apostólica” (C. 1). “Temos a convicção de que conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas; e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DGAE, 2008-2010, n.4) pois o amor de Cristo nos impulsiona (2Cor. 5,14).

A Missão como nosso caminho de santidade

Eis a Missão que Jesus nos dá: anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações (Mt 28,19). Eis o segredo do sucesso da Missão: Ter a consciência de pertencer a Cristo. Pelo fato que recebemos gratuitamente, cresce também o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro. A Missão é compartilhar a experiência de um encontro acontecido com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os confins do mundo. (DAp 145) Enfim, Jesus chama seus discípulos a serem missionários e este é o caminho para a santidade. (DAp 148).

A Consagração em vista da Missão

“A vida apostólica e a vida religiosa são para nós um carisma único e indivisível”.(C 18). A missão é  uma travessia que exige da VRC despojamento das certezas e seguranças, para dar lugar ao novo, que deve ser desprovido de interesses e ambições por poder, e ter por único alicerce Deus, que conduziu e continua conduzindo a história até os dias atuais. Este momento que estamos vivendo da canonização do nosso fundador é um tempo favorável da interpelação do Espírito Santo, para que possamos continuar escrevendo a história nos passos e compassos de Jesus, para que toda a nossa vida seja permeada de espírito apostólico, e toda ação apostólica seja repassada de contemplação” (Fl 2,5; DAp 543; VC9).

Homens do povo, Homens de Deus, Homens da missão

       “O Senhor, por meio do Fundador, nos reuniu em uma família religiosa, para tornar presente entre os não-cristãos a Igreja que é comunhão e fraternidade nova em Cristo” (C.35). Como consagrados e missionários  somos chamados e enviados a contemplar o amor que se encarna, isto é,  “Cristo em tudo”(Col 3,11); a viver a comunhão e o amor entre nós como grande sinal de anúncio: “a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At. 4,32). A construção da comunhão eclesial é a chave da missão. A vida vai me perguntar: o que é que fiz dos meus sonhos e com o meu jeito de amar. O que deixei para os outros, para que possam continuar ? O povo, sobretudo os pobres, tem o direito de olhar para nós  e ver como estamos vivendo a nossa missão. Com muita sabedoria, Dom Helder Câmara nos diz: “Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para permanecer sempre o mesmo”.