Páginas

Mostrando postagens com marcador Epifania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Epifania. Mostrar todas as postagens

1/04/2017

EPIFANIA DO SENHOR!

“CONDUZIDOS PELA ESTRELA” (Mt 2, 1-12)

O Evangelho de Mateus explicita essa atração dos povos pela luz que ilumina Jerusalém, através da vinda dos magos, conduzidos pela luz de uma estrela que irá pairar sobre a casa onde se abriga Jesus, a misericórdia, a salvação, a própria luz!
Contudo os doutores da Lei, aqueles que deveriam possibilitar a Luz iluminar, lendo e anunciando os escritos dos profetas, especialmente aquele que diz que será em Belém o nascimento do Messias, do Salvador, não querem ser incomodados pela luz e preferem permanecer na escuridão. Pouco lhes importa que a missão do Messias seja unir o povo de Deus e  iluminar as nações.
Os magos, fascinados pelo clarão apreendido no estudos dos astros e da
natureza, já que não possuem as profecias, intuem e tem conhecimento do nascimento do Salvador e sabem que é naquela região.
Ao visitarem o Messias, lhe ofertam ouro, incenso e mirra. Ouro, ao rei; mirra, o óleo com o qual a esposa se perfuma para suas núpcias, sinaliza que o Senhor é o esposo; e incenso, ao Deus encarnado.
Discernindo a reação do rei Herodes, os magos não retornam a ele após a visita ao Senhor.
Para nós, batizados, que temos o conhecimento da vinda do Messias, que a celebramos a cada ano no Natal, como é nossa postura em relação às
exigências da revelação? Somos seus anunciadores a todos os povos e a cada pessoa? Aceitamos que o Senhor se revela a todos e de modo diverso, de acordo com a cultura e possibilidades de cada um?
Cremos que a Igreja é a nova Jerusalém, de onde brilha a Luz do Sol verdadeiro, Jesus Cristo, e para ela se dirigem todos os povos, todas as pessoas de boa vontade?
Também, como os Magos, desviamos nossa caminhada daquelas pessoas ou situações que nos afastam de Deus, que optaram pelo Mal? Que preferem o acomodamento à prática do bem?

Ser cristão é acreditar que a vinda de Jesus Cristo trouxe para a Humanidade a união definitiva de Deus com o ser humano e que  todas as pessoas são chamadas a viver essa união e que a Igreja tem a missão de ser farol, porque nela está a Luz verdadeira.
joaobortoloci@bol.com.br

1/02/2016

SEGUINDO UMA ESTRELA

FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR

Na Festa da Epifania continuamos celebrando o nascimento do Filho de Deus na cidadezinha de Belém.
Não é por acaso que Jesus não nasce em Jerusalém, centro do poder político e religioso. Ele nasce em Belém, uma pequena cidade na periferia, um lugar pobre, cujo único orgulho possível era ser a terra natal de Davi, onde ele foi ungido rei. Por isso Belém tinha uma história régia.
O profeta Miqueias, na sua defesa aos mais pobres e carentes, já falava sobre este nascimento numa pequena e desconhecida cidade: "Mas você, Belém de Éfrata, tão pequena entre as principais cidades de Judá! É de você que sairá para mim aquele que há de ser o chefe de Israel" (5,1-2).
O texto não oferece quase nenhum dado sobre os magos, somente sabemos que eles são guiados por uma estrela e que não são judeus. Eles nomeiam Jesus como “o rei dos judeus”, nome que será dado novamente na narrativa da paixão.
Em Jerusalém a estrela que os guia desaparece, e então eles se encontram com Herodes, que pode ser considerado como falso rei. Para Herodes, os magos e a estrela são perigosos, porque desafiam a sua estabilidade política.
Ele tenta enganar os magos, mas não consegue, porque eles tomam outro caminho.
Ao sair de Jerusalém, a estrela reaparece e continua guiando-os para Belém. É sem dúvida questionador que Deus tenha escolhido nascer entre os pobres, que a irrupção de Deus na história da humanidade tenha acontecido no silêncio e na solidão de uma gruta, sendo testemunha o céu e os pequenos da terra.
Por que o Deus escondido, que quis se dar a conhecer em Jesus, o faz de forma tão humilde, tão despercebida, tão humana? (Rom 16, 26).
Talvez seja para que o busquemos, para que saiamos ao seu encontro... Ele não impõe a sua Presença, só se apresenta de diferentes maneiras; a mais humilde, plena e terna é em seu Filho Jesus.
Deus nos criou para Si, toda pessoa humana leva dentro de si o desejo de Deus, de conhecê-lo, de se encontrar com Ele, de uma vida em plenitude, de um amor infinito. Todo ser humano leva a marca da eternidade que o
impulsiona sair de si em busca dela! Como reza poeticamente Santo Agostinho: "Fizeste nosso coração para ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa em ti".

Essa sede de eternidade, essa busca, muitas vezes sem saber, de Deus, é a estrela que cada um de nós leva dentro de si. É a presença do Espírito que nos movimenta, que nos põe a caminho de Deus, como aqueles magos do Oriente que Mateus cita no seu evangelho.
Deus nos ama, vem ao nosso encontro na pessoa de Jesus e infunde seu Espírito em nós para que, iluminados pela sua presença, possamos livremente sair na sua busca e viver a alegria de ser encontrados por Ele!
Podemos perguntar-nos: como é possível reconhecer a presença do Espírito? Uma das maneiras mais simples é por meio dos presentes que ele nos dá, e um deles é a alegria (Gl 5,22). Por isso é que o evangelho nos diz que "ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria".

Reconhecemos a presença do Espírito em nós? Em que momentos?

 Façamos agora uma singela oração ao Espírito que nos habita, agradecendo
sua Presença e pedindo-Lhe que sejamos dóceis ao seu comando! Como pediu especialmente o Papa Francisco: “não excluir nenhuma fronteira e atuar nelas sem medo”.
É importante reconhecer a ação do Espírito, para poder colaborar com ele, aderir a ele. Jesus, no evangelho de João, nos diz que o Espírito nos conduzirá à verdade plena (Jo 16,13), que é Ele! (Jo 14,6)
Deus atua em nós, mas requer nossa disponibilidade. Cada um de nós pode optar entre seguir a voz do Espírito de liberdade ou seguir outras vozes que nos levam à escravidão do poder, do medo, do egoísmo, da infidelidade...
Os magos são fiéis ao caminho que sinaliza a estrela e vão de Jerusalém a Belém. Finalmente a estrela parou, e eles são envolvidos no mistério de Deus que se fez presente numa criança: "Viram o menino com Maria, sua mãe" (Lc 2,11).
Reconhecem nele o Messias esperado de todos os tempos, o Salvador de toda a humanidade; ao vê-Lo, se ajoelham, o adoram, o amam! Estes Magos simbolizam também a presença de Jesus que nasce para toda a humanidade.
Depois, não voltam para Jerusalém, mas partem para suas terras para comunicar que tinham visto, encontrado o Salvador.
Junto com os magos, tenhamos uma atitude de adoração e acolhida do
mistério de Deus que se nos comunica na gruta de Belém, e assim, "cheios"
do Espírito Santo, possamos exclamar olhando o menino: É o Senhor! (1Cor 12,3).
O encontro com Jesus nos leva a partir para uma nova vida, no lugar onde cada um/a vive, trabalha, estuda... ser comunicadores da ternura e do Amor de Deus, que se faz presente na fragilidade de uma criança!
Como nos lembra Leonardo Boff no seu artigo: “Haverá sempre uma Estrela no caminho de quem busca. Importa, pois, buscar com mente pura e sempre atenta aos sinais dos tempos como o fizeram os reis magos”.

 Oração

Nesta festa façamos nossa esta oração de Edith Stein, judia, filósofa religiosa e mártir (1891- 1942).


"Quem és tu, luz que me inundas e iluminas a noite do meu coração? Tu me
guias como a mão de uma mãe, mas se me deixas eu não seria capaz de dar um só passo sozinha. Tu és o espaço que circunda o meu ser e o protege. Se me abandonas, caio no abismo de nada, de onde me chamaste a ser. Tu, mais próximo a mim do que eu mesma, mais íntimo a mim do que a alma minha, - e no entanto é intangível e de todo nome quebras as cadeias: Espírito Santo - Eterno Amor"